JBL Flip: A História da Caixa de Som que Cabe na Bolsa e Conquistou o Mundo, Agora com Inteligência Artificial Em 2010, o mercado de áudio estava prestes a mudar. A popularização dos smartphones com Bluetooth abriu uma brecha: faltava

JBL Flip: A História da Caixa de Som que Cabe na Bolsa e Conquistou o Mundo, Agora com Inteligência Artificial

Em 2010, o mercado de áudio estava prestes a mudar. A popularização dos smartphones com Bluetooth abriu uma brecha: faltava um dispositivo portátil, sem fio, compacto o suficiente para caber em uma bolsa e, ao mesmo tempo, capaz de entregar qualidade sonora superior. A resposta da JBL veio em um formato surpreendentemente familiar, inspirado em um objeto do cotidiano.

A ideia era criar algo que fosse prático, acessível e com um som impactante. A solução encontrada pelos engenheiros da JBL foi um produto do tamanho de uma lata de Coca-Cola. Essa concepção deu origem à linha Flip, que hoje está em sua oitava geração e se mantém como um dos modelos mais vendidos globalmente pela marca.

Sharon Peng, vice-presidente sênior de Pesquisa de Consumo, P&D e Engenharia da Harman, empresa responsável pela JBL, compartilhou detalhes inéditos sobre a criação da JBL Flip e o futuro da linha de produtos portáteis durante uma participação no Podcast Canaltech.

Shenzhen: O Coração da Inovação e Produção da JBL

Há 16 anos, a Harman tomou uma decisão estratégica ao transferir seu centro de engenharia de produtos de consumo dos Estados Unidos para Shenzhen, na China. Essa mudança aproximou o desenvolvimento da produção, o que resultou em redução de custos e maior agilidade para levar novos produtos ao mercado.

“A velocidade, a qualidade, o custo — nenhum lugar pode superar Shenzhen”, afirmou Peng. A executiva destacou que a localização estratégica na China garante acesso a fornecedores em um raio de até duas horas, um fator crucial para encurtar significativamente o ciclo de desenvolvimento de novos produtos.

Atualmente, a JBL lidera o mercado global de alto-falantes Bluetooth portáteis, com uma participação de mercado impressionante, que varia entre 60% e 80%, segundo dados apresentados pela executiva. O mercado de caixas de som portáteis é avaliado em US$ 12,3 bilhões em 2025 e tem projeção de crescimento anual de 15,5% até 2032, de acordo com a Persistence Market Research.

Inteligência Artificial na Caixa de Som: O Futuro da JBL Flip

A próxima fronteira para os produtos da JBL é a incorporação de inteligência artificial no processamento de sinal digital. Peng descreve essa inovação como “uma inteligência matemática no topo do lado físico”, que visa extrair do hardware um desempenho superior ao originalmente projetado.

Uma das aplicações mais notáveis dessa tecnologia é a capacidade de separar trilhas de áudio (stems) diretamente no dispositivo. Através do conceito de edge computing, que realiza o processamento localmente sem depender da nuvem, o usuário poderá isolar até três elementos de uma música, como vocal, bateria ou guitarra, diretamente na própria caixa de som.

Essa funcionalidade foi desenvolvida em colaboração com a empresa brasileira Moises AI. “Do cloud para o aparelho é o verdadeiro desafio computacional”, explicou Peng, ressaltando que a solução utiliza chips de nível de consumo, em vez de processadores industriais, para executar os complexos algoritmos de separação de áudio.

O ecossistema da Harman também avança em conectividade. Os alto-falantes portáteis da linha JBL estão integrando uma plataforma unificada com suporte a tecnologias como PartyBoost e AuraCast. Isso permitirá que múltiplos dispositivos se conectem e reproduzam áudio de forma sincronizada, ampliando a experiência sonora.

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