Microsoft sob fogo: Críticas internas sobre a estratégia de IA e a baixa adesão ao Copilot A Microsoft tem apostado pesado em inteligência artificial, com investimentos trimestrais que chegam a US$ 37,5 bilhões. No entanto, essa estratégia agora enfrenta críticas

Microsoft sob fogo: Críticas internas sobre a estratégia de IA e a baixa adesão ao Copilot

A Microsoft tem apostado pesado em inteligência artificial, com investimentos trimestrais que chegam a US$ 37,5 bilhões. No entanto, essa estratégia agora enfrenta críticas severas de um ex-executivo da própria empresa, Mat Velloso. Ele aponta que a companhia pode ter “perdido a onda da IA”, assim como aconteceu com a internet e o mobile.

Velloso, que trabalhou por mais de uma década na Microsoft antes de migrar para posições de liderança no Google DeepMind e na Meta, expressou sua preocupação em uma rede social. Segundo ele, a Microsoft estaria repetindo um padrão de comportamento, “fazendo as mesmas coisas esperando resultados diferentes”, o que, em sua visão, explica a dificuldade em engajar o público com suas inovações em IA.

As declarações de Velloso ganham peso ao revelar dados preocupantes sobre a adoção do Copilot, a ferramenta de IA da Microsoft. Ele afirma que menos de 3% dos usuários pagantes utilizam o Copilot ativamente, mesmo com sua integração profunda em produtos como o Office e a pré-instalação no Windows 11. Essa baixa adesão contrasta fortemente com os vultosos investimentos realizados. Conforme apurado pelo portal Windows Latest, o montante investido trimestralmente em IA pela Microsoft totaliza cerca de R$ 189 bilhões, um valor expressivo para um retorno tão limitado.

Copilot: Um investimento bilionário com adesão mínima

A principal crítica de Mat Velloso reside na falta de conexão da Microsoft com o público comum em suas iniciativas de IA. Ele destaca que, apesar da integração do Copilot em produtos essenciais e da pressão para que fabricantes de PCs incluam chips dedicados a IA (NPUs) em notebooks com Windows 11, o resultado prático tem sido decepcionante. Velloso pontua que os fabricantes apostaram em componentes de IA, mas descobriram que “ninguém se importa, porque nenhum caso de uso valioso foi criado para eles no Windows/Office”.

Mudança de rota no Windows 11 e o “lixo de IA”

Essa estratégia de IA, que tem gerado frustração e até apelidos negativos como “Microslop” por parte de alguns usuários, parece estar levando a Microsoft a reavaliar suas prioridades no Windows 11. Em vez de focar unicamente em novas integrações de IA, a empresa estaria voltando sua atenção para a correção de pontos antigos e problemas na experiência do usuário do sistema operacional. Essa mudança de foco é vista como um reconhecimento das dificuldades enfrentadas na adoção das novas tecnologias.

Xbox e a postura contra o “lixo de IA”

Um exemplo de correção de rota pode ser observado na liderança da divisão Xbox. A nova CEO, Asha Sharma, demonstrou uma postura contrária ao que ela descreveu como “lixo de IA” logo ao assumir o cargo. Essa declaração sinaliza uma possível mudança de abordagem dentro da própria Microsoft, indicando uma cautela maior em relação à implementação indiscriminada de funcionalidades de inteligência artificial, buscando, ao invés disso, agregar valor real aos usuários.

Lições do passado e o futuro da IA na Microsoft

As comparações de Velloso com a “perda da onda da internet” e da “onda mobile” servem como um alerta para a Microsoft. O executivo sugere que a empresa pode estar repetindo erros do passado ao não conseguir se adaptar às reais necessidades e desejos do mercado. A baixa adoção do Copilot e a aparente mudança de prioridades no Windows 11 indicam que a gigante de tecnologia enfrenta um desafio significativo para reverter essa percepção e garantir que seus investimentos em IA gerem resultados concretos e engajamento do público.

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