IA Corporativa: O Alto Preço Oculto dos Tokens e o Dilema das Gigantes Tech
A promessa de que a inteligência artificial revolucionaria as empresas, reduzindo custos, especialmente com pessoal, começa a mostrar um lado inesperado. Gigantes como Microsoft e Uber já estão reavaliando o uso interno de ferramentas de IA devido a despesas surpreendentemente altas com o processamento de tokens.
O modelo de precificação baseado em tokens, onde cada unidade processada gera um custo, revela um desafio significativo. Quanto mais as equipes utilizam essas ferramentas, maior o valor pago pelas empresas. Esse custo se agrava em setores técnicos, como engenharia e desenvolvimento, onde a análise de código e a automação de processos demandam um volume maior de tokens.
A complexidade do processamento de tokens, que inclui desde comandos do usuário até respostas do sistema, pode inflar os gastos. Tarefas aparentemente simples, que envolvem arquivos extensos, históricos de conversas ou raciocínio complexo, consomem milhares de tokens. Para equipes de engenharia, que lidam com repositórios, logs e documentação, esse consumo pode disparar, conforme aponta o site de finanças Livemint. As informações e dados acima foram divulgados pelo Livemint.
Microsoft e Uber Repensam Estratégias de IA
A Microsoft, por exemplo, chamou a atenção ao anunciar o cancelamento de licenças de uma ferramenta de IA da Anthropic, redirecionando seus engenheiros para o GitHub Copilot CLI, uma solução interna. Essa mudança, que deu aos funcionários um prazo para migração, surge após um período de incentivo ao uso da ferramenta externa, que era, inclusive, preferida por muitos.
No Uber, a situação é igualmente alarmante. O CTO da empresa revelou que o orçamento de 2026 para ferramentas de IA foi consumido em apenas quatro meses. A empresa chegou a criar rankings para destacar os times que mais utilizavam assistentes automatizados, evidenciando a intensidade do uso.
O Fenômeno ‘Tokenmaxxing’ e a Pressão por Uso
O uso intensivo e, por vezes, exagerado de ferramentas de IA para cumprir metas de produtividade ganhou um nome: ‘tokenmaxxing’. Relatos indicam que funcionários em empresas como a Amazon estariam automatizando o máximo possível de tarefas para inflar seus indicadores de uso de tokens, sob forte pressão para demonstrar engajamento com as novas tecnologias.
Essa dinâmica, no entanto, é vista por alguns no topo da cadeia da IA como um reflexo do potencial produtivo. Jensen Huang, CEO da Nvidia, minimizou as preocupações com os gastos elevados, afirmando que ‘todo engenheiro que tem acesso a tokens será mais produtivo’, conforme declarações repercutidas pelo Livemint.
O Futuro dos Agentes de IA e a Queda de Custos Projetada
A tendência é que o consumo de tokens aumente com o advento das IAs agênticas, sistemas capazes de executar tarefas complexas em múltiplas etapas, consultando dados, analisando resultados e tomando decisões autônomas. Essa capacidade demanda um processamento significativamente maior, elevando o custo.
Projeções indicam que o uso corporativo de IA pode multiplicar o consumo global de tokens por 24 até 2030, atingindo 120 quatrilhões de tokens por mês. Contudo, a consultoria Gartner prevê uma queda de cerca de 90% no custo de sistemas com 1 trilhão de parâmetros no mesmo período, sugerindo uma eventual comoditização da tecnologia, apesar do aumento inicial de gastos.