Google é obrigado a permitir exclusão de imprensa dos Resumos de IA no Reino Unido, Brasil busca medidas similares
O Google enfrenta um novo desafio no Reino Unido, onde a autoridade de concorrência, CMA, determinou que a gigante da tecnologia ofereça aos sites informativos uma ferramenta para que suas publicações sejam excluídas dos Resumos de IA. Essa medida pioneira visa dar mais controle à imprensa sobre como seu conteúdo é utilizado pela inteligência artificial do Google, incluindo o Gemini.
A decisão, que também exige que o Google forneça links claros para as fontes originais dos conteúdos usados em seus resultados gerados por IA, surge como uma resposta às preocupações de veículos de imprensa globais. A expectativa é que essa mudança possa equilibrar a relação entre o buscador e os produtores de notícias, fortalecendo a posição dos sites em futuras negociações de conteúdo.
No Brasil, o cenário é semelhante, com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) investigando o Google sob acusações de abuso de posição dominante. A imprensa brasileira também reivindica regras que permitam o controle sobre a utilização de seu conteúdo em ferramentas de IA, visando evitar a perda de visitas e a consequente queda na monetização por publicidade.
Google implementa mudanças sob pressão regulatória
Em resposta à determinação da CMA, o Google já iniciou a implementação de mudanças. Além da opção de exclusão, conhecida como opt-out, a empresa terá que garantir que os resultados gerados pelo Gemini apresentem links diretos para as fontes originais das informações. Essa era uma demanda crucial da imprensa, que temia que o bloqueio de conteúdo nos resumos de IA pudesse impactar negativamente o ranqueamento nas buscas tradicionais.
Para gerenciar essa nova funcionalidade, o Google está introduzindo um comando específico no Search Console. Essa ferramenta permitirá que os gestores de sites controlem de forma direta como o conteúdo de suas páginas é apresentado nas experiências de busca com inteligência artificial. Segundo a empresa, a ferramenta também fornecerá métricas sobre a visibilidade das informações nos resultados de IA.
As novas regras para o Reino Unido foram anunciadas em março, após uma consulta pública iniciada pela CMA em janeiro. Apesar da resistência inicial do Google, a imposição dessas diretrizes demonstra um movimento regulatório significativo em relação ao uso de dados jornalísticos por tecnologias de IA.
Brasil busca regras semelhantes para proteger o jornalismo
O debate sobre o uso de conteúdo jornalístico por inteligência artificial não é exclusivo do Reino Unido. No Brasil, o Cade está à frente de uma investigação que apura a relação entre o Google e os veículos de imprensa. O processo, iniciado em 2019, foi reaberto no ano passado com foco específico nos Resumos de IA.
Associações e empresas jornalísticas brasileiras argumentam que ferramentas como os Resumos de IA concentram ainda mais poder nas mãos do Google, podendo reduzir o tráfego para os sites e afetar a receita publicitária. Uma das principais queixas é a ausência de uma opção de opt-out eficaz, que permita aos veículos impedir o uso de seu conteúdo sem prejudicar sua visibilidade nas buscas regulares.
Em abril, o Cade decidiu transformar o inquérito administrativo em um processo formal contra o Google, apontando “fortes indícios” de abuso exploratório de posição dominante. Anteriormente, o Google negou que os Resumos de IA prejudiquem o jornalismo e solicitou o arquivamento do processo, atribuindo eventuais quedas de audiência a mudanças mais amplas no consumo de notícias.
O futuro da busca e do conteúdo jornalístico na era da IA
A decisão do Reino Unido e a investigação no Brasil sinalizam uma tendência global de maior regulação sobre o uso de conteúdo por inteligência artificial. A busca por um equilíbrio entre a inovação tecnológica e a sustentabilidade do jornalismo é um desafio complexo, mas necessário.
A capacidade de os sites informativos controlarem sua participação nos Resumos de IA é um passo importante para garantir a autonomia e a viabilidade econômica da imprensa. A forma como o Google e outras big techs se adaptarão a essas novas exigências moldará o futuro da distribuição de notícias e do consumo de informação online.
A transparência na origem do conteúdo e a possibilidade de escolha para os produtores de informação são fundamentais para construir um ecossistema digital mais justo e sustentável para todos os envolvidos.