Comissão Europeia não vai proibir estúdios de desativarem jogos online, mas movimento de fãs promete seguir na luta.
A União Europeia, através de sua Comissão Europeia, decidiu não acatar a proposta do movimento “Stop Killing Games” que visava impedir que desenvolvedoras de jogos desativem títulos online deliberadamente. A decisão, divulgada recentemente, baseia-se em leis de direitos autorais e propriedade intelectual das empresas.
A mobilização, iniciada pelo youtuber americano Ross Scott, ganhou força após a Ubisoft desativar os servidores de “The Crew”, tornando o jogo inutilizável mesmo em seu modo single-player. Jogadores que pagaram pelo título sentiram-se lesados pela impossibilidade de continuar jogando.
Em resposta à decisão da Comissão, os organizadores do movimento declararam que já esperavam por essa resposta e que a campanha continuará, buscando agora apoio no Parlamento Europeu para inclusão na “Lei de Equidade Digital”. Conforme informação divulgada pelo movimento, a campanha coletou cerca de 1,3 milhão de assinaturas em uma petição direcionada à União Europeia.
Entenda o movimento “Stop Killing Games”
O movimento “Stop Killing Games”, também conhecido como “Stop Destroying Videogames” em documentos oficiais para evitar termos mais fortes, busca garantir que jogos que dependem de serviços online permaneçam jogáveis mesmo após o fim do suporte oficial. A proposta inicial incluía a exigência de que estúdios mantivessem recursos mínimos para operação, como a liberação de ferramentas para servidores privados ou atualizações para modo offline.
A iniciativa ganhou notoriedade globalmente, especialmente após o caso de “The Crew”. A desativação de servidores por parte de empresas tem sido um ponto de atrito entre desenvolvedoras e jogadores, que argumentam ter direito ao acesso contínuo ao conteúdo pelo qual pagaram.
A decisão da Comissão Europeia
Após reuniões, debates e audiências públicas realizadas desde o início de 2026, a Comissão Europeia comunicou, em 16 de maio, que não proporá uma obrigação legal para manter videogames jogáveis após a interrupção de seu fornecimento comercial. A justificativa principal reside nos **direitos de propriedade intelectual**.
Em nota oficial, a Comissão afirmou: “A Comissão considera que, neste momento, não pode propor uma obrigação legal de manter os videogames jogáveis após a interrupção do seu fornecimento comercial. Isso se deve, também, aos direitos de propriedade intelectual existentes. De acordo com a legislação de direitos autorais da UE, os detentores de direitos gozam de direitos exclusivos sobre suas criações. Além dos direitos autorais, outros direitos de propriedade intelectual também podem ser relevantes, pois podem proteger diferentes aspectos visuais e tecnológicos de um videogame.”
Movimento “Stop Killing Games” promete seguir em frente
Apesar do revés, o movimento “Stop Killing Games” demonstrou resiliência. Via sua plataforma X, a organização declarou que a decisão da Comissão Europeia não foi uma surpresa e que a luta não terminou. Eles anunciaram que continuarão pressionando, desta vez com foco no Parlamento Europeu.
“Esta decisão não é inesperada. Mas estávamos preparados para ela. É por isso que, juntamente com o Parlamento Europeu, estamos pressionando para que a iniciativa Stop Killing Games seja incluída na Lei de Equidade Digital. Podemos continuar mesmo sem a Comissão e sua indecisão”, comunicou o movimento.
A declaração do movimento sugere que, embora a Comissão Europeia não avance com a proposta, a pressão sobre as empresas para manterem seus jogos online pode continuar através de outras vias legislativas na União Europeia, visando uma futura regulamentação que proteja os jogadores contra o **desligamento de jogos online**.
Repercussão na indústria de games
A decisão da União Europeia pode ser vista como uma vitória para os estúdios de desenvolvimento de jogos. No ano passado, o CEO da Ubisoft, Yves Guillemot, chegou a comentar sobre a campanha, afirmando que “nada é eterno”, indicando a posição da empresa em relação à longevidade de seus serviços online.
A perspectiva da indústria, muitas vezes focada em novos lançamentos e na manutenção de servidores como um custo contínuo, contrasta com a demanda dos jogadores por acesso perpétuo a jogos pelos quais pagaram. A batalha sobre o **fim dos jogos online** e a responsabilidade das empresas parece longe de um desfecho definitivo, com o movimento “Stop Killing Games” sinalizando que a persistência é a chave para futuras conquistas.