Criador desafia a lógica e alimenta PC com 192 pilhas AA por mais de 30 minutos
Um feito notável está chamando a atenção no mundo da tecnologia: o criador conhecido como Uwoslab conseguiu manter um computador funcionando por mais de meia hora utilizando unicamente 192 pilhas AA. O experimento, que dispensa completamente a necessidade de tomadas ou fontes de alimentação tradicionais, demonstra uma abordagem inovadora para o fornecimento de energia a sistemas computacionais.
O sistema não apenas ligou, mas também passou por testes de estresse, com a CPU operando a 98% de uso. A tensão se manteve estável durante todo o período, e o computador chegou a rodar o FreeDoom, uma versão livre do clássico jogo da id Software. O feito foi documentado em uma transmissão ao vivo no YouTube e detalhado pelo Tom’s Hardware.
Este experimento levanta questões sobre o consumo de energia e as possibilidades de soluções alternativas. Conforme divulgado pelo Tom’s Hardware, a montagem exigiu uma organização meticulosa das pilhas para garantir a estabilidade e a corrente necessárias. A escolha dos componentes e a configuração elétrica foram cruciais para o sucesso.
A engenharia por trás das pilhas AA
O plano inicial de Uwoslab era ainda mais ambicioso, prevendo o uso de 400 pilhas. No entanto, a montagem final utilizou 192 células alcalinas comuns, distribuídas em três caixas de madeira cortadas a laser. A lógica elétrica aplicada consistiu em ligar oito pilhas de 1,5 V em série para alcançar os 12 V necessários para a placa-mãe. Esses conjuntos foram, então, conectados em paralelo para aumentar a corrente disponível sem alterar a tensão.
As caixas de madeira serviram como estrutura de suporte, com clipes e placas de contato funcionando como terminais. A fita adesiva reforçada foi utilizada para fixar o conjunto. Essa configuração, segundo o relato, buscou otimizar a entrega de energia diretamente ao hardware, evitando perdas comuns em conversões de tensão.
Sem fontes ATX ou inversores de tensão
Um ponto crucial do experimento foi a ausência de uma fonte ATX convencional ou de inversores de tensão. Em montagens similares, é comum converter a energia das baterias para 220 V e, em seguida, alimentar uma fonte de computador. Cada etapa de conversão gera desperdício de energia, o que se torna proibitivo em sistemas alimentados por pilhas. Uwoslab pulou essas etapas, conectando o banco de pilhas diretamente a uma placa adaptadora DC-ATX de 12 V, ligada à placa-mãe.
A escolha de pilhas do tipo “high-drain” também foi estratégica. Essas células, embora possam ter uma capacidade total menor, mantêm uma tensão mais firme sob corrente elevada, característica essencial para a estabilidade do sistema durante o teste. O próprio autor estima que 400 dessas pilhas, em cenário ideal, poderiam entregar cerca de 160 W por dez horas seguidas.
O computador de baixo consumo e o sistema operacional inusitado
A máquina utilizada no experimento é um sistema em soquete AM4 sem placa de vídeo dedicada, o que sugere o uso de um processador AMD com gráficos integrados. O baixo consumo de energia era um requisito fundamental para o sucesso da empreitada. Além disso, o computador não possui SSD ou disco rígido; o sistema operacional roda inteiramente a partir de um pendrive, eliminando mais um componente consumidor de energia.
Para o teste, foi escolhido o Hannah Montana Linux, uma distribuição lançada em 2009 e totalmente tematizada em torno da personagem interpretada por Miley Cyrus. Após um período inativo, o projeto recebeu um remaster recente, construído sobre o Debian com KDE Plasma, que o atualizou com correções de segurança. A escolha, embora peculiar, adicionou um toque de humor ao cenário de um benchmark profissional rodando sobre uma interface temática.
Desempenho e comparações com fontes convencionais
A queda de tensão observada, de pouco mais de 1 V entre repouso e carga total, é um dado relevante. Pilhas alcalinas tendem a perder tensão progressivamente conforme descarregam, o que normalmente inviabiliza o uso em cargas sensíveis como plataformas x86 modernas. Manter 11,95 V estáveis com a CPU em carga máxima indica que o dimensionamento em paralelo foi eficaz em suprir a corrente exigida.
O criador relatou em uma publicação que “FUNCIONOU! Diferente da tentativa com 9 V, dessa vez o desktop rodou por 30 minutos sem descarregar. Pela capacidade no fim do teste, ele provavelmente aguenta mais algumas horas antes de a queda de tensão ficar grande demais”. A estimativa teórica do autor previa que 400 pilhas entregariam 160 W por dez horas, o que para as 192 utilizadas seria em torno de 770 Wh. O teste real, contudo, durou 30 minutos com margem para mais, evidenciando o custo de extrair alta corrente de pilhas alcalinas.
Para comparação, uma bateria selada de chumbo de 12 V com 7 Ah, comum em nobreaks, armazena 84 Wh em cerca de 2,5 kg. Este experimento, com 192 pilhas alcalinas, totalizou aproximadamente 4,4 kg apenas em células, sem contar a estrutura de madeira e conexões, destacando a diferença entre a energia armazenada e a energia utilizável sob alta demanda. A iniciativa de Uwoslab, apesar das limitações, abre um leque de reflexões sobre o futuro da energia em dispositivos eletrônicos.