Justiça dos EUA suspende temporariamente fusão entre Paramount e Warner Bros. Discovery por 14 dias
A Justiça dos Estados Unidos tomou uma decisão surpreendente ao suspender temporariamente a compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount. A ordem de restrição, válida por 14 dias, foi emitida pela juíza distrital Araceli Martínez-Olguín e atende a um pedido de procuradores-gerais de 12 estados norte-americanos.
O principal argumento dos estados, liderados pela Califórnia, é que a negociação pode violar a legislação antitruste, prejudicando a concorrência no acirrado mercado de mídia. A juíza considerou que a projeção de participação de mercado da nova empresa justifica a intervenção preventiva, alegando que os estados demonstraram que a transação poderia causar “danos irreparáveis”.
Uma audiência crucial foi marcada para o dia 3 de agosto, onde será avaliada a concessão de uma liminar de maior alcance. A decisão, divulgada pela agência Reuters, indica que o tribunal está convencido de que a fusão proposta “provavelmente violará as leis antitruste”. A Paramount, por sua vez, afirma estar confiante de que sua versão dos fatos prevalecerá.
Paramount defende fusão e alega aumento da concorrência
A Paramount Global declarou, através de um porta-voz, que a fusão com a Warner Bros. Discovery é legal, favorável à concorrência e trará benefícios para consumidores, profissionais criativos, trabalhadores e para toda a indústria do entretenimento. A empresa argumenta que o mercado cinematográfico se tornou mais dinâmico com o surgimento de players como A24 e Amazon MGM.
A companhia também sustenta que o segmento de TV por assinatura está em declínio e que a união com a Warner Bros. Discovery criaria uma concorrente mais forte e resiliente. Apesar da suspensão judicial, a Paramount acredita que as provas apresentarão que os argumentos dos procuradores-gerais não refletem a realidade atual do mercado. É importante notar que o Departamento de Justiça dos EUA já havia aprovado o negócio.
Califórnia celebra decisão e minimiza risco financeiro para Paramount
O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, comemorou a suspensão, classificando-a como um “avanço crítico” na tentativa de impedir a operação. “Esta é uma primeira vitória crítica em nosso caso para garantir que essa megafusão nunca veja a luz do dia”, declarou Bonta.
Ele também minimizou a preocupação com a possibilidade de a Paramount ter que pagar cerca de US$ 650 milhões (aproximadamente R$ 3,3 bilhões) aos investidores da Warner caso a compra não se concretize até o final de setembro. Bonta ressaltou que essa era uma escolha feita pela Paramount, que sabia que a fusão passaria por um processo regulatório demorado. Essa cláusula foi incluída no acordo como parte da estratégia da Paramount para superar a oferta da Netflix, avaliada em US$ 83 bilhões.
Estados rejeitam acordos parciais e focam em impedir a fusão completa
O procurador-geral da Califórnia descartou a possibilidade de resolver a disputa com medidas paliativas, como um plano para separar a CNN da Warner Bros. Discovery. O plano original da Warner Bros. incluía essa separação, mas a oferta da Paramount abrange todo o portfólio da companhia.
Bonta também rejeitou especulações de que a Paramount poderia transferir sua sede para fora da Califórnia em retaliação ao processo. Nos bastidores, o CEO da WBD, David Zaslav, teria admitido que a negociação com a família Ellison poderia não se concretizar, mas sem grande preocupação, pois a Warner Bros. Discovery não sairia perdendo em nenhum cenário, independentemente do desfecho.