ChatGPT ajusta política de imitação de estilo literário e causa polêmica
Usuários e especialistas em inteligência artificial têm notado uma mudança significativa no comportamento do ChatGPT. A IA da OpenAI, antes capaz de emular o estilo de diversos autores, agora se recusa a imitar a escrita de personalidades literárias vivas.
A alteração, que parece ter entrado em vigor recentemente, levanta questões sobre direitos autorais, criatividade e o futuro da produção literária. A OpenAI, procurada para comentar o assunto, optou por não se manifestar oficialmente.
No entanto, a mudança coincide com uma série de processos judiciais movidos por autores contra a OpenAI, alegando que a IA foi treinada com materiais protegidos por direitos autorais, o que poderia configurá-la como uma ferramenta de violação.
A nova postura do ChatGPT em testes
Testes realizados por veículos especializados, como o Ars Technica, confirmaram a nova diretriz. Ao ser solicitado a gerar um texto no estilo de Stephen King, por exemplo, o ChatGPT descreveu características marcantes do autor, como o “horror atmosférico ligado a personagens e cidades pequenas”, mas explicitamente declarou que não estava autorizado a imitar a voz ou o estilo exato do escritor.
Observou-se que a restrição se aplica especificamente a autores vivos. Para escritores falecidos, como Guimarães Rosa ou Nikolai Gogol, a IA ainda se propõe a criar textos que “evocam traços” ou são “inspirados” por eles, embora também faça ressalvas sobre a reprodução fiel da linguagem ou de trechos característicos.
A nacionalidade ou o idioma original das obras não parecem influenciar essa distinção. O fator determinante é, aparentemente, se o autor em questão está vivo ou não. Ainda assim, em todos os casos, o texto gerado tende a apresentar elementos reconhecíveis do estilo do autor mencionado, como vocabulário, tom e estrutura.
Direitos autorais e a ameaça à originalidade
A principal hipótese para essa mudança na política do ChatGPT é a prevenção de litígios por violação de direitos autorais. Autores, como noticiado pelo Ars Technica, estão processando a OpenAI sob a alegação de que a IA pode gerar textos muito semelhantes a obras protegidas.
Embora a lei americana proteja expressões textuais concretas e não estilos de escrita em si, a capacidade das IAs de imitar estilos de forma rápida e barata levanta preocupações. Robert Brauneis, professor de direito, aponta que isso representa uma ameaça a autores menos conhecidos, que podem enfrentar concorrência de obras que replicam sua assinatura autoral, comprometendo sua viabilidade financeira.
Outras IAs e o cenário competitivo
Em contrapartida, outras inteligências artificiais generativas parecem não seguir a mesma cautela. Testes com o Gemini, do Google, indicaram que ele não apresenta impedimentos para imitar estilos de escrita. Já o Claude, da Anthropic, embora permita a imitação, emite um aviso informando ao usuário que se trata de uma emulação.
A capacidade de imitar estilos literários de forma convincente por parte da IA abre um novo capítulo no debate sobre autoria, originalidade e a proteção do trabalho criativo na era digital. A forma como as leis e as próprias empresas de tecnologia se adaptarão a essa nova realidade ainda está em desenvolvimento.