BioWare enfrenta obstáculos técnicos e de pessoal para remasterizar Dragon Age
Apesar de Dragon Age: The Veilguard ter decepcionado o público, a série Dragon Age ainda possui uma base de fãs fiel. No entanto, o ex-produtor Mark Darrah expressou ceticismo quanto a uma possível remasterização ou relançamento atualizado da franquia. Ele acredita que a complexidade da engine utilizada nos primeiros jogos é um grande impeditivo.
Darrah explicou em entrevista ao FRVR que a engine Aurora, originalmente criada para Neverwinter Nights em 2002, foi a base dos dois primeiros jogos de Dragon Age. Versões modificadas e evoluídas dessa engine foram usadas, mas a BioWare mudou para a Frostbite a partir do terceiro título. Essa transição cria um cenário complicado para atualizações.
A falta de conhecimento interno sobre a engine Aurora é o principal fator, segundo Darrah. Ele aponta que, com a rotatividade de funcionários ao longo dos anos, poucas pessoas dentro da BioWare ainda dominam essa tecnologia. Isso difere significativamente do caso de Mass Effect, cujos jogos utilizam a Unreal Engine, facilitando a criação da Legendary Edition.
Engine Aurora: Um legado complexo e esquecido
“Basicamente não há mais ninguém na BioWare que entende a Aurora Engine”, afirmou Darrah. Ele detalha que nem mesmo empresas externas teriam a expertise necessária para auxiliar em um projeto de remasterização, diferentemente do que ocorreu com Mass Effect. A Unreal Engine possui um ecossistema de suporte muito mais amplo e acessível.
Essa carência de conhecimento especializado cria um dilema. Mesmo que a BioWare desejasse dedicar uma equipe para remasterizar a trilogia original, a Electronic Arts, controladora do estúdio, impõe restrições. Darrah sugere que a EA prefere otimizar o uso de funcionários, o que significaria que uma equipe focada em remasterizações estaria deixando de trabalhar em outros projetos.
O futuro incerto de Dragon Age e a visão da EA
Apesar das dificuldades técnicas, Darrah acredita que um relançamento atualizado de Dragon Age teria potencial de vendas. Ele destaca que o primeiro jogo, em particular, possui elementos visuais que se beneficiariam enormemente de uma modernização gráfica, aumentando seu apelo para novas gerações de jogadores.
Contudo, o ex-produtor é pessimista quanto à viabilidade prática de tais projetos, citando a maneira como a Electronic Arts gerencia suas propriedades intelectuais. Segundo ele, muitos executivos da publicadora não possuem uma visão clara sobre o futuro da franquia Dragon Age. Eles tendem a bloquear iniciativas de terceiros, acreditando deterem o controle exclusivo sobre o destino da série.
Essa dinâmica, combinada com os desafios técnicos da engine Aurora, leva Darrah a considerar a franquia Dragon Age como essencialmente “morta” no que diz respeito a remasters. A falta de pessoal qualificado e a estrutura corporativa da EA criam barreiras significativas para a atualização dos jogos clássicos da série de RPG.