Emissoras de TV aberta buscam espaço físico nos controles remotos para combater a ascensão dos streamings Em um movimento estratégico para reconquistar visibilidade em um mercado cada vez mais dominado por plataformas de streaming, as principais emissoras de TV aberta

Emissoras de TV aberta buscam espaço físico nos controles remotos para combater a ascensão dos streamings

Em um movimento estratégico para reconquistar visibilidade em um mercado cada vez mais dominado por plataformas de streaming, as principais emissoras de TV aberta do Brasil, incluindo Globo, SBT e Band, estão articulando uma proposta para a criação de um botão dedicado à TV aberta nos controles remotos de televisores. A iniciativa visa garantir que a programação tradicional tenha um acesso mais direto e fácil para os telespectadores, competindo de igual para igual com os atalhos para serviços como Netflix e Prime Video.

A proposta, que já conta com o apoio da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e do Ministério das Comunicações, busca antecipar uma obrigatoriedade já prevista para a futura tecnologia de TV 3.0. O objetivo é assegurar que a TV aberta não perca mais espaço nas interfaces das smart TVs, onde, segundo as emissoras, os aplicativos de streaming ganham destaque privilegiado.

Segundo informações reveladas pela coluna Outro Canal, do portal F5, o Ministério das Comunicações confirmou que o assunto está em discussão interna. A articulação das emissoras visa a edição de um decreto presidencial que possa ser assinado pelo presidente Lula ainda em 2026, influenciando a fabricação de televisores e a forma como o conteúdo é apresentado aos consumidores. Conforme apurado pelo F5, as emissoras vêm dialogando com o Planalto e apresentando estudos sobre o impacto das interfaces digitais na audiência da TV aberta.

Ameaça dos botões de streaming e a perda de protagonismo

A presença de botões dedicados aos serviços de streaming nos controles remotos de smart TVs tem sido motivo de crescente incômodo para as emissoras de TV aberta. Elas argumentam que esses atalhos conferem uma vantagem comercial significativa às plataformas pagas, ao mesmo tempo em que dificultam o acesso à programação aberta, que muitas vezes fica escondida em menus mais profundos das interfaces. Essa situação é vista como um fator de perda de audiência, especialmente entre o público mais velho, que pode ter mais dificuldade em navegar pelas interfaces digitais.

TV 3.0 e a antecipação de uma obrigatoriedade

O decreto nº 12.595/25 já estabelece a inclusão de um botão em destaque no controle remoto para a TV 3.0, além de prever que o catálogo de canais abertos também apareça nas interfaces. No entanto, as emissoras querem adiantar essa obrigatoriedade para os modelos de televisores e interfaces que não se enquadram no cronograma da TV 3.0. Atualmente, o botão físico dedicado a essa funcionalidade aparece apenas em controles de conversores externos, uma vez que as marcas ainda se preparam para o lançamento de TVs com suporte nativo à nova tecnologia.

O público mais velho e a dificuldade de acesso

As emissoras de TV aberta apontam que a navegação das smart TVs passou a privilegiar aplicativos e serviços sob demanda, o que resultou na perda de protagonismo do sinal aberto na experiência inicial do aparelho. Essa mudança na forma como os consumidores interagem com seus televisores tem sido particularmente sentida pelo público mais velho, pertencente à classe C, um segmento considerado crucial para a manutenção da audiência da televisão tradicional. A dificuldade em localizar os canais abertos pode levar esses telespectadores a buscarem alternativas de entretenimento, impactando diretamente os índices de audiência.

SBT lidera a articulação pela mudança

A ideia de solicitar um botão dedicado à TV aberta partiu inicialmente do SBT e foi prontamente acolhida pela Globo e pela Band, além da Abert. O grupo de emissoras está empenhado em convencer o governo federal a editar um decreto que beneficie a programação aberta. A expectativa é que essa medida possa reequilibrar a disputa pela atenção do telespectador, garantindo que a TV aberta continue sendo uma opção acessível e visível em meio à diversidade de conteúdos oferecidos pelas plataformas de streaming.

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