Vazamento massivo de dados do Smart Sampa expõe câmeras e agentes de segurança da Prefeitura de São Paulo por quase um ano. Informações cruciais do sistema de videomonitoramento da Prefeitura de São Paulo, conhecido como Smart Sampa, permaneceram expostas em

Vazamento massivo de dados do Smart Sampa expõe câmeras e agentes de segurança da Prefeitura de São Paulo por quase um ano.

Informações cruciais do sistema de videomonitoramento da Prefeitura de São Paulo, conhecido como Smart Sampa, permaneceram expostas em um repositório público na internet por aproximadamente 11 meses. Este vazamento permitiu o acesso a transmissões de diversas câmeras e a dados de milhares de agentes de segurança, gerando grande preocupação.

O caso foi revelado pelo portal UOL, que detalhou como credenciais de acesso e informações cadastrais de agentes estavam disponíveis. A Prefeitura de São Paulo confirmou a exposição, mas atribuiu o ocorrido a uma divulgação ilegal por um servidor, que já foi identificado e afastado.

O Ministério Público de São Paulo já instaurou um procedimento para investigar o incidente, buscando apurar a extensão do dano e as responsabilidades. A situação levanta questões importantes sobre a segurança dos dados públicos e a proteção de informações sensíveis.

Detalhes alarmantes do vazamento do Smart Sampa

A apuração do UOL revelou a existência de 181 combinações de login e senha, além de dados cadastrais de mais de 6 mil agentes de segurança. Essas informações permitiam não apenas o acesso às transmissões ao vivo de parte das mais de 58 mil câmeras do programa, mas também a reprodução de funções da plataforma em outros dispositivos.

A reportagem conseguiu acessar imagens em tempo real de vias públicas, além de equipamentos municipais como escolas, unidades de saúde e hospitais. Essa capacidade de monitoramento remoto, sem as devidas autorizações, configura uma grave falha de segurança, apesar da Prefeitura negar fragilidades nos mecanismos.

Entre as câmeras cujas imagens foram potencialmente acessadas, o levantamento aponta para 1.157 em Unidades Básicas de Saúde (UBSs), 424 em Escolas Municipais de Educação Infantil (EMEIs), 396 em Escolas Municipais de Ensino Fundamental (EMEFs), 118 em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), 80 em hospitais e 68 em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

Prefeitura de SP atribui o vazamento a servidor e nega falha de segurança

Em nota oficial, a Prefeitura de São Paulo confirmou que um servidor com acesso autorizado ao Smart Sampa divulgou as informações ilegalmente. O funcionário em questão foi afastado e está sob investigação da Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana (GCM). A gestão municipal, liderada pelo prefeito Ricardo Nunes, afirmou que não há fragilidades nos mecanismos de segurança do sistema.

A administração declarou ainda que o programa Smart Sampa é fiscalizado pelo Tribunal de Contas do Município e possui mecanismos de supervisão e auditoria previstos em contrato. A Prefeitura ressaltou que as câmeras instaladas em áreas públicas de equipamentos municipais não abrangem consultórios ou ambientes assistenciais privados.

A Prefeitura também acusou o portal UOL de agir com irresponsabilidade na divulgação da matéria. Conforme a nota, o repositório de dados disponibilizado ilegalmente na internet já foi retirado do ar pela Pasta e não continha menção a senhas de acesso, o que contradiz parte das informações divulgadas.

Ministério Público inicia apuração do caso Smart Sampa

O Ministério Público de São Paulo instaurou uma Notícia de Fato para apurar o vazamento de dados do Smart Sampa. Embora ainda não se trate de uma investigação formal, a medida indica a seriedade com que o órgão trata a exposição de informações sigilosas.

O Smart Sampa, inaugurado em julho de 2024, integra câmeras públicas e privadas em uma central de monitoramento da prefeitura, operado pela empresa Sentinelx. O contrato para a operação do sistema é estimado em R$ 588 milhões ao longo de cinco anos, o que torna a segurança dos dados ainda mais crítica.

A investigação busca esclarecer como os dados foram acessados e por quanto tempo permaneceram vulneráveis. A segurança dos sistemas de videomonitoramento e a proteção de dados de agentes públicos e de cidadãos são pontos centrais nesta apuração.

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