Golpe Digital Atinge 7 em Cada 10 Brasileiros, Revela Estudo Global
O cenário de segurança digital no Brasil é alarmante: 70% dos brasileiros já foram vítimas de algum tipo de golpe online nos últimos 12 meses. Essa estatística assustadora vem do relatório “Estado dos Golpes no Brasil 2025”, divulgado pela Global Anti-Scam Alliance (GASA). A pesquisa também aponta uma média impressionante de 252 tentativas de fraude por pessoa ao longo do ano, evidenciando a escala do problema.
Diante desse contexto, o governo federal sancionou em 4 de maio a Lei 15.397/2026. Essa nova legislação busca combater a crescente criminalidade cibernética, introduzindo medidas mais rigorosas para punir os infratores e proteger os cidadãos. A lei cria a figura legal da “fraude eletrônica” no Código Penal, com penas que variam de quatro a oito anos de reclusão.
A nova norma abrange golpes aplicados por meio de redes sociais, ligações telefônicas, e-mails ou até mesmo pela duplicação de dispositivos. Além disso, a lei tipifica o uso de “contas laranja”, que agora podem resultar em até cinco anos de prisão. Contudo, especialistas ressaltam que o endurecimento das penas, embora importante, não é a única solução.
Lei de Fraude Eletrônica: Um Marco na Classificação de Crimes Digitais
Renata Salvini, diretora do capítulo brasileiro da GASA, em entrevista ao Podcast Canaltech, destacou que o valor mais concreto da nova legislação reside na **classificação dos crimes**. Antes de 2021, golpes digitais e estelionatos tradicionais eram enquadrados na mesma categoria penal, dificultando a ação das autoridades.
A separação, reforçada pela Lei 15.397, permite que as forças de segurança identifiquem com mais precisão onde o crime está crescendo e direcionem recursos especializados. “Se o crime está diminuindo na rua e aumentando no digital, é outro tipo de conhecimento e expertise que eles vão precisar”, explicou Salvini.
A Indústria Global de Golpes e Suas Táticas Sofisticadas
Os dados da GASA revelam que os criminosos operam em uma verdadeira **escala industrial**, frequentemente com atuação transfronteiriça. Segundo Salvini, 65% dos golpes iniciam por ligação telefônica, seguidos por SMS e e-mail, com 55% cada. Esses canais servem como ponto de entrada para fraudes que culminam em transferências financeiras.
“Quando a gente aprende as respostas, os golpistas mudaram as perguntas”, resumiu Salvini, ilustrando a constante evolução das táticas criminosas. A operação é global, como demonstrado por um desmonte recente no Sudeste Asiático, que envolvia réplicas de delegacias de múltiplos países, incluindo uma agência falsa da Polícia Federal brasileira.
As perdas mundiais com fraudes digitais ultrapassaram a marca de US$ 1 trilhão em 2024, segundo a GASA. Esse valor é considerado subestimado, pois a maioria dos casos não é reportada pelas vítimas.
O Golpe Mais Comum no Brasil e o Impacto Emocional nas Vítimas
No Brasil, o golpe de **compra online** é o mais frequente, afetando 60% das vítimas pesquisadas. Muitos relatam ter perdido dinheiro em produtos que nunca chegaram, frequentemente em sites com mais seguidores falsos nas redes sociais do que os perfis oficiais das marcas. Isso demonstra a importância de verificar a autenticidade de lojas e ofertas.
O impacto dos golpes vai muito além do financeiro. Uma pesquisa da GASA indicou que 86% das vítimas relataram **estresse elevado** após serem enganadas. A vergonha de admitir que foi vítima de um golpe contribui diretamente para o subregistro, o que fragiliza as estatísticas e dificulta a resposta das autoridades contra a fraude eletrônica.
Como Se Proteger e O Que Fazer em Caso de Golpe
Para quem for vítima de um golpe digital, Renata Salvini recomenda ações imediatas: **bloquear o golpista**, contestar a transação no aplicativo do banco, registrar um boletim de ocorrência e notificar a plataforma onde o golpe ocorreu. O Banco Central oferece o Mecanismo Especial de Devolução para transferências via Pix, um recurso importante para recuperar valores.
A GASA lançou em março o site scam.org, uma ferramenta que permite verificar se um link é falso, acessar orientações de proteção e localizar canais de denúncia por país e estado. A conscientização e a rápida ação são essenciais para mitigar os danos da fraude eletrônica e combater essa indústria criminosa.