Milhões de Roteadores com Vulnerabilidade Antiga e Perigosa Podem Ser Hackeados Sem a Senha do Wi-Fi Uma falha de segurança descoberta em roteadores equipados com chips da Broadcom, que existe há pelo menos 16 anos, continua a expor milhões de

Milhões de Roteadores com Vulnerabilidade Antiga e Perigosa Podem Ser Hackeados Sem a Senha do Wi-Fi

Uma falha de segurança descoberta em roteadores equipados com chips da Broadcom, que existe há pelo menos 16 anos, continua a expor milhões de usuários a ataques cibernéticos. A vulnerabilidade, batizada de WPSplinter, permite que invasores acessem redes Wi-Fi e sequestrem dados sem a necessidade de conhecer a senha ou realizar pareamentos complicados.

O pesquisador Quentin Kaiser revelou a extensão do problema em uma conferência em Paris, destacando que a falha está presente em chips desenvolvidos há mais de uma década. Apesar de uma correção ter sido disponibilizada pela Broadcom em 2018, muitos dispositivos ainda não receberam a atualização, mantendo-se vulneráveis a essa antiga ameaça.

A situação é alarmante, pois a facilidade de exploração da vulnerabilidade WPSplinter coloca em risco a privacidade e a segurança de dados de usuários em todo o mundo. Conforme informações divulgadas pelo site TechSpot, a falta de uma classificação oficial como CVE (Vulnerabilidades e Exposições Comuns) dificultou a correção ao longo dos anos, deixando muitos dispositivos desprotegidos.

Como a Vulnerabilidade WPSplinter Funciona e Afeta Roteadores

A falha WPSplinter não reside no protocolo WPS em si, mas sim em uma **vulnerabilidade intrínseca no código desenvolvido pela Broadcom para seus chips**. Isso significa que, mesmo com configurações de segurança aparentemente robustas, o roteador pode ser comprometido.

Kaiser demonstrou que, em modelos como o Askey TCG3000 da Orange na Bélgica, foi possível extrair a senha do Wi-Fi diretamente da memória NVRAM do dispositivo. Em outros casos, como no Proximus BBOX3V+, o acesso à rede foi obtido através de um remote shell, um protocolo de comando que permite controle remoto mesmo à distância.

Extensão do Problema e Dispositivos Afetados

O pesquisador estima que cerca de **1,5 milhão de roteadores apenas na Bélgica** ainda operam com essa vulnerabilidade. No entanto, o alcance do problema é global, afetando dispositivos de **grandes fabricantes e operadoras**, incluindo marcas como TP-Link, Nokia, ZTE, Netgear e Cisco.

A descoberta foi facilitada pelo uso de inteligência artificial, que permitiu a Kaiser identificar o bug em menos de uma semana, explorando a natureza mais antiga da tecnologia subjacente. A **vulnerabilidade WPSplinter** representa um risco significativo para redes domésticas e corporativas.

A Resposta da Broadcom e a Falta de Atualizações

Segundo Kaiser, a Broadcom foi alertada sobre a falha e reconhece o problema desde 2018, quando realizou uma atualização no código relacionado à conexão WPS. Contudo, o pesquisador aponta que essa atualização **não foi suficiente para sanar completamente a vulnerabilidade**.

A empresa teria optado por não classificar o erro como um CVE por considerá-lo um problema “obsoleto” e fora da “janela de suporte”. Essa decisão levanta preocupações sobre a responsabilidade das empresas em garantir a segurança contínua de seus produtos, mesmo os mais antigos, diante de ameaças em constante evolução.

O Que Fazer Para Se Proteger?

Ainda não há informações claras sobre como fabricantes e operadoras lidarão com a situação, deixando muitos dispositivos vulneráveis. A principal recomendação para os usuários é verificar se o firmware de seus roteadores está atualizado para a versão mais recente disponível.

Em casos onde a atualização não é possível ou não resolve o problema da vulnerabilidade WPSplinter, considerar a substituição do roteador por um modelo mais moderno e seguro pode ser a medida mais eficaz para proteger sua rede e seus dados contra acessos não autorizados.

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