Um acordo preliminar entre a Apple e a Intel promete revolucionar a fabricação de chips para dispositivos da Maçã. Segundo apuração do The Wall Street Journal e outros veículos internacionais, as empresas finalizaram termos formais após mais de um ano de negociações, embora o acerto ainda não tenha sido confirmado publicamente por nenhuma das partes.
O movimento estratégico visa diversificar a produção de semicondutores da Apple, que atualmente depende fortemente da TSMC em Taiwan. A notícia surge em um momento de alta demanda por chips de inteligência artificial, que tem pressionado a capacidade de produção de nós avançados da TSMC, impactando o fornecimento de produtos como o Mac Studio e Mac mini.
O envolvimento do governo dos Estados Unidos nas negociações foi significativo, com o secretário de Comércio e até mesmo o então presidente Donald Trump atuando para convencer a Apple a retomar negócios com a Intel. A Intel, por sua vez, busca um ressurgimento sob nova gestão, com o objetivo de recuperar sua posição de destaque no mercado de semicondutores.
Intel Fabricará Chips da Apple, Mas Não os Processadores x86
É importante ressaltar que o acordo não marca o retorno dos processadores x86 da Intel aos Macs. Desde o final de 2020, os computadores da Apple utilizam os chips da série M, projetados internamente pela própria empresa. A Intel atuará como fabricante desses chips desenhados pela Apple, um papel similar ao que a TSMC desempenha atualmente.
As fontes não especificaram quais linhas de produtos da Apple receberão os chips fabricados pela Intel. A empresa vende anualmente centenas de milhões de iPhones, além de iPads e computadores Mac, concentrando atualmente a produção de seus processadores na TSMC.
Samsung e Negociações nos EUA: Um Jogo de Diversificação
Paralelamente às conversas com a Intel, a Apple também manteve diálogos com a Samsung para a produção de processadores nos Estados Unidos. Essas tratativas, descritas pela Reuters como estando em estágio inicial, reforçam a estratégia da Apple de diversificar suas fontes de fabricação e reduzir a dependência geográfica.
O governo americano tem sido um catalisador nesse processo. O secretário de Comércio se reuniu diversas vezes com a cúpula da Apple, incluindo Tim Cook, para incentivar a parceria com a Intel. O presidente Donald Trump também defendeu pessoalmente a Intel em um encontro com Cook na Casa Branca, demonstrando a importância estratégica do acordo para os Estados Unidos.
O Futuro da Fabricação: Processos Avançados e Novos Chips
Analistas apontam que a Intel deve começar a enviar o processador M de entrada da Apple já em 2027, utilizando o processo 18A-P. Há também a possibilidade de a parceria se estender aos chips do iPhone a partir de 2028, restrita aos modelos não-Pro. O ASIC personalizado da Apple, com lançamento previsto entre 2027 e 2028, também poderá utilizar o encapsulamento EMIB da Intel.
A Apple já assinou um acordo de confidencialidade com a Intel para obter amostras do kit de desenvolvimento do nó 18A-P, a fim de avaliar a tecnologia. Este processo é pioneiro em oferecer suporte à ligação híbrida 3D Foveros Direct, permitindo o empilhamento de múltiplos chiplets através de interconexões verticais, uma tecnologia promissora para a próxima geração de chips.
O Ressurgimento da Intel e o Impacto no Mercado
A nomeação de Lip-Bu Tan como CEO da Intel em março de 2025 marca um novo capítulo para a empresa, que busca superar resultados anteriores. O acordo com a Apple, somado a outras parcerias como a com a NVIDIA e o suporte ao projeto Terafab de Elon Musk, tem impulsionado o valor das ações da Intel, que atingiram uma máxima recorde. O acordo com a Apple coincide com a divulgação desses resultados positivos, sinalizando um forte momento de recuperação e inovação para a gigante dos semicondutores.