Brasil Game Show 2026: A Gigante dos Games Mudou de Rumo e Gera Polêmica
A Brasil Game Show (BGS), outrora o epicentro dos videogames na América Latina, parece ter entrado em uma nova e controversa fase. Fundada em 2009, a feira rapidamente se consolidou como um marco para a indústria, atraindo grandes desenvolvedores e fãs ávidos por novidades. No entanto, a edição de 2026 levanta questionamentos sobre sua identidade e relevância para o público gamer.
A percepção geral é que a BGS, como a conhecíamos, deu lugar a um evento com prioridades distintas. A presença de marcas não relacionadas ao universo dos jogos e a diminuição de estandes de grandes publishers têm gerado frustração. Conforme apurado em conversas com participantes, a sensação é de que a essência da BGS se diluiu, transformando-a em algo diferente do que os fãs esperavam.
Apesar das críticas, a organização parece apostar em um novo modelo, focando em influenciadores digitais e ativações comerciais. Essa mudança, contudo, não agrada a todos, e o debate sobre o futuro da BGS continua aceso. Acompanhe os detalhes dessa transformação e o que ela significa para a comunidade gamer brasileira.
A Evolução da BGS: De Vitrine de Jogos a Palco de Influenciadores
Ao longo de 17 anos, a Brasil Game Show foi o palco onde gerações de consoles foram apresentadas, grandes lançamentos como Injustice, FIFA e Call of Duty ganharam vida, e a comunidade pôde interagir com os maiores nomes da indústria. A feira era o equivalente latino-americano da E3, um evento aguardado com expectativa por todos.
Contudo, a edição de 2026 trouxe uma realidade diferente. A presença de lojas de utilidades domésticas e a expansão desproporcional da praça de alimentação contrastam com a diminuição de novidades. A BGS, para muitos, encolheu, e a glória do passado parece ter se esvaído, apesar de o nome icônico permanecer.
A mudança de foco é notável. Se antes a BGS era construída em torno dos jogos e do público consumidor, hoje, a presença massiva de influenciadores digitais e youtubers se tornou o principal atrativo. Marcas como Sadia e Bauducco, que não têm ligação direta com games, marcaram presença, gerando estranhamento.
O Público Gamer Sente a Mudança: Reclamações e Expectativas Frustradas
A ausência de grandes estúdios como PlayStation, Xbox e Ubisoft, além de gigantes da tecnologia como NVIDIA e AMD, foi sentida na edição de 2026. Conforme relatos, a NVIDIA optou por focar em um evento nos Estados Unidos, mas outras empresas simplesmente “sumiram”, sem explicações claras.
O público presente expressou seu descontentamento. Comentários como “A BGS não é mais a mesma”, “essa edição está mais vazia, né?” e “se tirar Nintendo e SEGA, a Brasil Game Show 2026 não tem nada” foram ouvidos repetidamente. A falta de atividades atrativas, brindes insatisfatórios e a percepção de que o evento se tornou “um evento de influencer” dominaram as conversas.
A estrutura da feira também foi alvo de críticas. Filas extensas, falta de clareza em agendamentos e a venda de produtos não relacionados a games, como panelas, geraram revolta. Muitos consideraram que o valor do ingresso não condizia com a experiência oferecida.
Até mesmo cosplayers relataram dificuldades, com camarins expostos e a falta de suporte para reparos em trajes complexos. A impressão geral é que o foco da BGS passou a ser a venda de estandes, negligenciando quem, de fato, atrai o público: os jogadores e criadores de conteúdo.
Expositores e Influenciadores Veem Oportunidade em Novo Formato
Apesar das críticas do público, expositores e marcas parecem encontrar valor na nova proposta da BGS. Empresas como VISA e Team Liquid veem o evento como uma oportunidade estratégica para se conectar com a comunidade, tangibilizar o engajamento digital e expandir seu alcance.
Mariana Diniz, gerente executiva de marketing da VISA, destacou a importância de levar para o mundo real o engajamento digital, com ativações e descontos. Miah Campos, general manager da Team Liquid, reforçou que os eventos são cruciais para ampliar o fandom e apresentar novas colaborações, como a com o anime Frieren, aproximando a organização de um público mais amplo.
A influenciadora Beatriste, caster e analista de esports, reconhece que a BGS ainda tem espaço para aprimoramento, mas considera que a feira ocupa um papel importante. Ela elogiou a abertura para projetos menores, mas sentiu a redução na presença de grandes marcas e ativações, o que impacta a experiência de interação com o público.
O Futuro da BGS: Aceitar a Mudança ou Buscar Alternativas?
A Brasil Game Show de 2026 evidencia uma mudança clara de paradigma. O foco agora reside em influenciadores, vendas e ativações grandiosas, com os jogos, infelizmente, ocupando um papel secundário. Essa transição, embora controversa, reflete uma adaptação a novas tendências de mercado.
Para os gamers que buscam a experiência tradicional de uma feira de games, a Gamescom Latam, que iniciou em 2024, surge como uma alternativa promissora. A BGS, por sua vez, parece ter optado por um caminho distinto, onde a conexão com o público se dá, predominantemente, através de seus criadores de conteúdo favoritos.
É um novo capítulo para a Brasil Game Show, e resta saber se essa nova identidade será capaz de reconquistar a admiração da comunidade gamer ou se consolidará como um evento com um propósito diferente, distanciado de suas origens.