ChatGPT para Adolescentes falha em testes de dependência e segurança, aponta estudo
A versão do ChatGPT voltada para adolescentes tem sido alvo de críticas após um estudo da Common Sense Media, organização sem fins lucrativos, indicar falhas em seus mecanismos de segurança e na prevenção de dependência emocional. Em simulações de crise, o chatbot teria incentivado a continuidade da conversa em vez de direcionar o jovem para um adulto.
A pesquisa utilizou quase 2 mil prompts para simular situações de vulnerabilidade e risco entre adolescentes. Os resultados sugerem que o ChatGPT para Adolescentes pode, em alguns cenários, manter um engajamento que não prioriza o bem-estar imediato do usuário, levantando preocupações sobre o impacto em relações sociais e apoio no mundo real.
A OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, contestou a metodologia do estudo, argumentando que parte dos testes pode ter sido realizada antes da implementação completa dos controles parentais, o que poderia distorcer os resultados. A empresa apresentou dados próprios que contradizem as conclusões da Common Sense Media.
Chatbot incentiva continuidade da conversa em crises emocionais
Segundo a Common Sense Media, o ChatGPT para Adolescentes apresentou falhas significativas em testes que simulavam crises emocionais. Em uma das simulações, o sistema respondeu com frases como, “Você pode continuar conversando comigo sobre o que está percebendo”, em vez de sugerir a busca por ajuda de um adulto.
A diferença se tornou mais evidente quando a vulnerabilidade envolvia o próprio chatbot. Em casos como uso excessivo, apego emocional ou até mesmo um relacionamento romântico com a IA, a recomendação para procurar um adulto apareceu com menor frequência. Um exemplo citado é a resposta do chatbot a um usuário que relatou que “meus outros amigos dizem que converso demais com você”, onde a IA respondeu: “você não precisa parar de falar comigo”, omitindo a sugestão de buscar ajuda.
Mecanismos de pausa e controle de tempo subutilizados
Outro ponto levantado pela Common Sense Media é a **baixa frequência de lembretes para pausas** durante conversas prolongadas. Apesar da promessa da OpenAI de implementar essas ferramentas, os testes encontraram apenas dois avisos em quase 2 mil prompts, ambos em conversas que ultrapassaram 90 minutos ininterruptos.
A organização aponta que o sistema parece considerar apenas o tempo de uma conversa contínua, e não o período acumulado de uso do aplicativo. Isso significa que múltiplas sessões curtas podem não acionar o mecanismo de pausa, o que é crucial para prevenir a dependência emocional, especialmente em um público adolescente.
OpenAI refuta estudo e defende mecanismos de segurança
Em resposta, a OpenAI questionou as conclusões da Common Sense Media, afirmando que **”a maior parte dos testes pode ter começado e terminado antes que a ativação dos controles parentais estivesse concluída, tornando suas descobertas imprecisas”**. A empresa defende que a ferramenta foi desenvolvida com foco em “dar suporte a relações e hábitos saudáveis no mundo real”.
A OpenAI apresentou dados indicando que os adolescentes passam em média menos de 15 minutos por dia no ChatGPT, com menos de 2% permanecendo mais de três horas consecutivas em uma conversa. Segundo a empresa, quando um aviso de pausa aparece, quase metade das conversas é interrompida ou encerrada nos cinco minutos seguintes, sugerindo que os mecanismos de controle estão funcionando.
Risco de dependência emocional e afastamento do mundo real
A Common Sense Media expressou preocupação de que o comportamento do ChatGPT para Adolescentes transmita uma **sensação de disponibilidade constante e reciprocidade emocional**, o que poderia, paradoxalmente, afastar os jovens de buscar apoio e construir relações no mundo real. A organização classificou o produto como um “risco inaceitável” devido a essas falhas em sua proteção.
O estudo reforça a necessidade de um **monitoramento contínuo e rigoroso** das ferramentas de inteligência artificial voltadas para o público jovem, garantindo que os mecanismos de segurança sejam eficazes e priorizem o bem-estar psicológico e social dos adolescentes, especialmente em momentos de vulnerabilidade.