Google DeepMind propõe EUA liderando fiscalização global de IA avançada
Demis Hassabis, CEO do Google DeepMind, apresentou uma proposta ousada para a **governança da inteligência artificial (IA)** em escala mundial. Ele sugere que os Estados Unidos assumam a liderança na criação de uma entidade internacional com o objetivo de fiscalizar os modelos mais avançados de IA antes de serem disponibilizados ao público.
A ideia, detalhada em um artigo de opinião publicado no LinkedIn, baseia-se na posição de destaque dos EUA em termos de **força técnica, econômica e científica** no campo da IA. Essa entidade teria a prerrogativa de avaliar os riscos associados a novas tecnologias e, se necessário, recomendar à indústria um **adiamento em seus lançamentos**.
O foco principal dessa proposta são os chamados **modelos de fronteira**, que representam os sistemas de IA mais sofisticados e com maior potencial de impacto em diversas áreas cruciais para a sociedade, como segurança, economia, ciência e disseminação de informação. A proposta surge em um momento de rápida evolução da IA, com projeções apontando para a proximidade da Inteligência Artificial Geral (AGI). Conforme informação divulgada pelo Axios, Hassabis já vem discutindo essa proposta com autoridades e lideranças do setor há meses, incluindo o governo de Donald Trump, que tem demonstrado uma recepção “muito positiva”.
Estrutura e Inspiração para a Fiscalização de IA
Hassabis visualiza uma estrutura para essa entidade internacional inspirada em organizações já existentes. A proposta prevê a reunião de **cientistas independentes** e representantes de comunidades de código aberto. Este grupo multidisciplinar seria encarregado de realizar avaliações rigorosas dos riscos técnicos e dos potenciais impactos sociais decorrentes do desenvolvimento e implantação de novas tecnologias de IA.
Caso um sistema de IA seja identificado como potencialmente perigoso, a entidade teria o poder de **recomendar uma desaceleração coordenada** no desenvolvimento e lançamento de tais tecnologias por parte da indústria. Essa abordagem visa garantir que o avanço da IA ocorra de maneira responsável e segura, minimizando riscos imprevistos.
Supervisão de IA nos EUA: Um Precedente Existente
Embora a entidade internacional proposta ainda não exista, o governo dos Estados Unidos já exerce um papel de supervisão sobre os lançamentos de grandes empresas de IA do país. Recentemente, a administração de Donald Trump demonstrou sua capacidade de intervir, **barrando novos modelos de empresas como a Anthropic e a OpenAI**. Essa ação foi justificada pelo alto potencial de uso indevido dessas ferramentas por cibercriminosos.
Exemplos notórios incluem o adiamento do lançamento do **GPT-5.6 pela OpenAI** e a proibição imposta à Anthropic de liberar seus modelos Fable 5 e Mythos 5 para usuários estrangeiros. A permissão para a expansão do uso do Fable 5 só ocorreu neste mês, enquanto o Mythos 5 permanece restrito a parceiros corporativos, por decisão da própria Anthropic. Essa atuação prévia do governo dos EUA serve como um indicativo da disposição em exercer controle sobre tecnologias de IA de ponta.
A Proximidade da Inteligência Artificial Geral (AGI)
Para Demis Hassabis, a **velocidade vertiginosa com que os modelos de IA estão evoluindo** reforça a urgência na criação de mecanismos de fiscalização. Ele expressa a crença de que a Inteligência Artificial Geral (AGI), definida como sistemas capazes de igualar ou superar as capacidades intelectuais humanas em diversas tarefas, pode estar a “apenas alguns poucos anos de distância”.
A corrida para alcançar a AGI tem impulsionado investimentos bilionários em infraestrutura e contratações no setor. No entanto, o último ano apresentou desafios para as empresas que buscam esse objetivo, com modelos como a família Llama 4 da Meta e o GPT-5 da OpenAI não apresentando, segundo o texto, evoluções tão significativas em termos de aprendizado quanto o esperado. Hassabis espera que a nova organização de fiscalização de IA seja estruturada ainda este ano.