Claro assume controle da Desktop em negócio bilionário e mira expansão na banda larga fixa em São Paulo.
A Claro, uma das maiores empresas de telecomunicações do Brasil, concluiu nesta quinta-feira (01/10) a aquisição do controle da Desktop, operadora regional de internet com forte presença no estado de São Paulo. O negócio, avaliado em R$ 1,75 bilhão, fortalece a posição da Claro no mercado de banda larga fixa.
Com a compra de 72,83% das ações ordinárias da Desktop, a Claro passa a gerir uma base de mais de 1,2 milhão de clientes distribuídos em mais de 200 cidades paulistas. A operação foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
A aquisição da Desktop pela Claro visa expandir a atuação da empresa na oferta de internet de alta velocidade, integrando a infraestrutura e a carteira de clientes da operadora regional. Conforme informação divulgada pela Claro, o objetivo é otimizar a oferta de serviços e a cobertura em território paulista.
Detalhes da Transação Bilionária
O valor total de R$ 1,75 bilhão pago pela Claro pela Desktop é composto por diferentes partes. O preço de fechamento, efetivamente pago, foi de R$ 1,62 bilhão, correspondendo a R$ 19,1261 por ação. Há também uma parcela diferida, retida em conta de garantia (escrow), no valor de R$ 127,46 milhões (R$ 1,5051 por ação), além de um ajuste referente ao endividamento líquido da Desktop, cujo valor ainda será definido.
Parte do montante pago hoje, cerca de R$ 20 milhões, ficou retido como garantia para o ajuste de endividamento, que será calculado com base na dívida líquida da Desktop em 30 de setembro. A parcela diferida tem o objetivo de cobrir eventuais indenizações aos vendedores e será liberada mensalmente, conforme previsto em contrato.
Aprovações Regulatórias e Condicionantes
O negócio entre Claro e Desktop só foi concretizado após a aprovação das autoridades reguladoras. No fim de maio, a Superintendência de Competição da Anatel deu anuência prévia, mas com uma exigência importante: a Claro deverá reorganizar as redes de acesso da Desktop. A operadora terá até 24 meses, com possibilidade de prorrogação, para ocupar apenas um ponto de fixação nos postes.
Em setembro, a Superintendência-Geral do Cade aprovou a compra sem impor restrições. A aprovação regulatória é um passo crucial para a consolidação do mercado de telecomunicações, permitindo que grandes empresas como a Claro expandam sua atuação através de aquisições estratégicas de operadoras regionais.
O que é a Desktop?
A Desktop é reconhecida como uma das maiores operadoras regionais de internet do Brasil, com uma base sólida de mais de 1,2 milhão de clientes. Sua atuação se concentra fortemente no estado de São Paulo, com presença em mais de 200 cidades. Entre os mercados mais importantes para a Desktop estão Campinas, Praia Grande, Sorocaba, Piracicaba, São José do Rio Preto, Sumaré, São José dos Campos e São Carlos.
A empresa oferece planos de internet por fibra óptica com velocidades que partem de 200 Mb/s por R$ 90 mensais, podendo chegar a 1 Gb/s por aproximadamente R$ 120 mensais. Além da banda larga fixa, a Desktop também disponibiliza serviços de telefonia móvel, TV por assinatura e streaming, diversificando seu portfólio para atender a diferentes necessidades dos consumidores.
Mudanças na Gestão e Oferta aos Acionistas
Com a aquisição do controle, a estrutura de gestão da Desktop passou por alterações. Parte do conselho de administração da empresa foi renovada, e novos nomes assumiram posições-chave. Rodrigo Marques de Oliveira foi nomeado diretor-presidente, enquanto Roberto Catalão Cardoso assumiu como diretor financeiro e de relações com investidores.
A Claro informou que protocolará na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o pedido de registro de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) por alienação de controle, conhecida como tag along. Essa oferta visa adquirir as ações ordinárias dos demais acionistas, com o preço por ação sendo igual ao pago aos vendedores originais, considerando os ajustes de endividamento e a parcela diferida. A Claro também manifestou a intenção de realizar ofertas para retirar as ações da Desktop da bolsa de valores e do segmento Novo Mercado da B3, visando simplificar a estrutura de governança.