Custo de violação de dados no Brasil bate recorde e atinge R$ 7,44 milhões em 2026, revela estudo da IBM.
O valor médio desembolsado por empresas brasileiras para lidar com incidentes de segurança de dados alcançou a marca inédita de R$ 7,44 milhões em 2026. Este dado alarmante, divulgado pela IBM em seu estudo anual Cost of a Data Breach 2026, representa o maior valor já registrado na série histórica da pesquisa. O aumento reflete os complexos e dispendiosos processos de recuperação após ataques cibernéticos.
Esses custos englobam desde a contratação de especialistas para investigar a origem e o alcance da violação, passando pela contenção de danos e restabelecimento de serviços, até o pagamento de multas e sanções regulatórias. O valor deste ano representa um crescimento de 3,5% em comparação com os R$ 7,19 milhões registrados no ano anterior, indicando uma escalada contínua nos prejuízos causados por ataques.
O estudo, que ouviu 602 organizações globalmente, incluindo 42 no Brasil, aponta que as empresas brasileiras que sofrem com violações de dados o fazem em um cenário cada vez mais desafiador. A inteligência artificial (IA) surge como um fator crucial, atuando tanto na potencialização de ataques quanto no aprimoramento das defesas corporativas, um dilema que as organizações precisam navegar com urgência.
Saúde Lidera Prejuízos com Violações de Dados Sensíveis
No Brasil, o setor de saúde desponta como o mais afetado, registrando um custo médio de R$ 12,55 milhões por violação de dados. Fernando Carbone, líder técnico de Segurança da IBM Consulting Brasil, explica que a alta sensibilidade das informações médicas é um fator determinante para esse cenário. Esses dados, altamente valiosos, tornam-se um alvo preferencial para extorsões.
“São dados muito sensíveis que ajudam muito nas extorsões. Então, isso valoriza muito o dado”, afirma Carbone. Ele ressalta que casos recentes de grandes hospitais vítimas de ataques cibernéticos com vazamento de dados na região evidenciam a gravidade do problema. A confiança e a privacidade dos pacientes estão em jogo, exigindo investimentos robustos em segurança.
Tecnologia e Serviços Também Sofrem com Ataques Cibernéticos
Na sequência do setor de saúde, os segmentos de tecnologia e serviços também apresentaram custos médios elevados em violações de dados. Empresas de tecnologia tiveram um prejuízo médio de R$ 8,96 milhões, enquanto o setor de serviços registrou R$ 8,63 milhões. Esses valores demonstram a ampla vulnerabilidade em diferentes áreas da economia brasileira.
As causas iniciais mais comuns para essas violações no Brasil, segundo o estudo, incluem práticas já conhecidas como o phishing e os ataques à cadeia de suprimentos. Essas metodologias, embora antigas, continuam a ser vetores eficazes para a entrada de agentes maliciosos nos sistemas corporativos.
Inteligência Artificial: Aliada ou Inimiga na Segurança de Dados?
A inteligência artificial (IA) se apresenta como uma faca de dois gumes no universo da segurança cibernética. Globalmente, um em cada quatro ataques maliciosos em 2026 foi impulsionado por IA. No entanto, a mesma tecnologia é cada vez mais utilizada para detectar e bloquear ameaças, diminuindo o tempo de resposta das empresas.
Empresas brasileiras que adotam IA e automação em suas estratégias de defesa apresentaram um custo médio por violação 30% menor. Mesmo assim, 33% das organizações planejam aumentar os investimentos em ferramentas de segurança e governança de IA, reconhecendo seu papel crucial. Nicolas Mucci, líder de segurança da IBM Consulting América Latina, alerta para a dualidade da IA.
“Estamos vivendo em um momento de virada de chave na capacidade de ações maliciosas ou tecnológicas. Vivemos em um momento onde a IA vem para ajudar o mercado de tecnologia a trazer eficiência. Mas, por outro lado, ela traz um risco e uma capacidade de automação, velocidade e exploração com intenções maliciosas muito elevadas”, pontua Mucci.
Shadow AI e Novos Alvos: Contas de IA Sob Ataque
A adoção de IA pelas empresas também abre brechas para o chamado Shadow AI, o uso de ferramentas de IA sem aprovação corporativa pelos colaboradores. Essa prática pode levar à exposição de dados confidenciais, aumentando os custos de proteção. No Brasil, o Shadow AI gerou um acréscimo médio de R$ 720,3 mil por violação.
Recentemente, as próprias contas de plataformas de IA se tornaram um novo alvo para agentes maliciosos. O objetivo é acessar dados sensíveis de empresas que utilizam essas ferramentas em suas operações. A segurança das credenciais de acesso à IA é, portanto, um ponto crítico para a proteção de informações corporativas.