Dia das Mães: Filmes que Desconstroem o Mito da Maternidade Perfeita e Celebram a Realidade O Dia das Mães é frequentemente celebrado com mensagens que pintam a maternidade em tons idílicos. No entanto, a experiência de ser mãe é multifacetada,

Dia das Mães: Filmes que Desconstroem o Mito da Maternidade Perfeita e Celebram a Realidade

O Dia das Mães é frequentemente celebrado com mensagens que pintam a maternidade em tons idílicos. No entanto, a experiência de ser mãe é multifacetada, repleta de desafios, dúvidas e uma profunda transformação pessoal que nem sempre se encaixa em narrativas romantizadas.

Filmes que se aventuram por esses caminhos oferecem um olhar mais honesto e profundo sobre o que significa ser mãe. Eles exploram a exaustão, a culpa, a perda de identidade e, acima de tudo, a resiliência e o amor incondicional que moldam essa jornada.

O Canaltech selecionou 12 filmes que fogem do clichê e mergulham nas complexidades da maternidade. Essas obras cinematográficas, conforme divulgado pelo Canaltech, apresentam mães em diferentes realidades, desde solteiras e sobrecarregadas até aquelas que enfrentam crises e pressões sociais, desmistificando a ideia de uma maternidade única e utópica.

Maternidade e a Luta pela Identidade em Meio à Exaustão

Ser mãe muitas vezes significa um turbilhão de emoções e uma redefinição constante de quem se é. Filmes nessa linha exploram como as demandas da maternidade podem levar à perda de identidade e à exaustão, confrontando as mães com pressões sociais e a rotina implacável.

Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria (2025) retrata a exaustão de uma mãe lidando com a doença do filho e a ausência do marido, explorando a complexidade mental da maternidade. Já Benzinho (2018), uma produção brasileira, aborda a cobrança injusta sobre as mães e a dificuldade em conciliar os próprios sentimentos com as necessidades dos filhos e do parceiro.

Tully (2018), com Charlize Theron, mostra a rotina de uma mãe de três filhos que encontra apoio em uma babá noturna, refletindo sobre pressões financeiras, saúde mental e a luta para manter a própria individualidade. Por outro lado, Canina (2024) utiliza o terror para expressar o sufocamento da rotina materna e a busca pela própria identidade, transformando a maternidade em uma força selvagem.

Culpa, Ambivalência e os Segredos da Maternidade

A maternidade não é feita apenas de alegrias. Sentimentos de culpa, arrependimento e ambivalência são emoções complexas que muitas mães carregam, frequentemente julgadas pela sociedade. Filmes como esses convidam à reflexão sobre essas nuances.

A Filha Perdida (2021), inspirado em Elena Ferrante, mergulha na mente de Leda, que confronta segredos obscuros do passado e sentimentos contraditórios sobre ser mãe. Precisamos Falar Sobre o Kevin (2011), com uma atuação marcante de Tilda Swinton, levanta questões provocativas sobre a relação de uma mãe que nunca quis ser mãe com seu filho perturbado.

Morra, Amor (2025) explora as ambivalências da maternidade de primeira viagem em um ambiente isolado, abordando a solidão no casamento e a luta pela sanidade em meio às frustrações. Essas obras mostram que a maternidade é uma jornada emocionalmente desafiadora.

Luto, Trauma e a Força da Sobrevivência Materna

Para muitas mães, a jornada é marcada por perdas, traumas e a necessidade de uma força interior para sobreviver. Esses filmes abordam a resiliência e a capacidade de superação em face de adversidades devastadoras.

Ainda Estou Aqui (2024), que contribuiu para a vitória histórica do Brasil no Oscar 2025, narra a saga de Eunice na ditadura militar, buscando o marido desaparecido e garantindo um futuro para os filhos. Pieces of a Woman (2020) retrata o luto profundo de Martha após uma perda trágica no parto, explorando os impactos do trauma e suas relações familiares.

O Babadook (2014) usa o gênero de terror para explorar os efeitos psicológicos de uma perda trágica em uma mãe solteira e seu filho, mergulhando na paranoia e na manifestação de medos internos. Essas narrativas ressaltam a força feminina em momentos de extrema vulnerabilidade.

Maternidade e as Desigualdades Sociais no Brasil e no Mundo

A experiência da maternidade é profundamente influenciada pelo contexto social e econômico. Filmes que abordam a desigualdade social mostram como as circunstâncias podem moldar a jornada materna e as batalhas diárias enfrentadas pelas mulheres.

Que Horas Ela Volta? (2015), aclamado cinema brasileiro, expõe os contrastes sociais através da história de Val, uma empregada doméstica que lida com a culpa de ter deixado a filha no interior para trabalhar em São Paulo. O reencontro com a filha traz à tona decisões passadas e a complexidade de suas escolhas.

Projeto Flórida (2017) explora o declínio do “sonho americano” e as limitações financeiras através da vida de Moonee e sua mãe, que lutam pela sobrevivência em um hotel na beira da estrada, próximo aos parques da Disney. Essas produções evidenciam como as condições sociais impactam diretamente a experiência de ser mãe.

Cada um desses filmes, à sua maneira, demonstra que ser mãe é uma experiência complexa, cheia de contradições, exaustão, mas também de um amor singular. A maternidade, longe de ser o único definidor da vida de uma mulher, é apenas uma de suas muitas facetas.

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