União Europeia vê Brasil como parceiro chave na disputa global por inteligência artificial A União Europeia (UE) está intensificando seus esforços para consolidar o Brasil como um aliado estratégico na corrida global pela inteligência artificial (IA). A iniciativa visa diminuir

União Europeia vê Brasil como parceiro chave na disputa global por inteligência artificial

A União Europeia (UE) está intensificando seus esforços para consolidar o Brasil como um aliado estratégico na corrida global pela inteligência artificial (IA). A iniciativa visa diminuir a dependência europeia de grandes corporações tecnológicas americanas e chinesas, fortalecendo a autonomia do bloco e de seus parceiros em um setor cada vez mais crucial para o desenvolvimento econômico e social.

Essa aproximação se formaliza com a assinatura de uma parceria inédita em Brasília, sinalizando um compromisso político de alto nível. A vice-presidente executiva da Comissão Europeia, Henna Virkkunen, destacou a importância do Brasil como um “parceiro confiável”, ressaltando os acordos recentes com o Mercosul e a construção de um diálogo digital que vem se fortalecendo ao longo dos anos.

O objetivo principal é construir alianças fora do tradicional eixo EUA-China, promovendo a soberania tecnológica e a redução da dependência de tecnologias estrangeiras. O Brasil agora integra um grupo seleto de países com esse tipo de vínculo com a UE, ao lado de Canadá, Coreia do Sul, Japão e Singapura, abrindo caminho para cooperação em diversas frentes da tecnologia digital. Conforme informação divulgada pela Comissao Europeia, o Brasil agora faz parte de um seleto grupo de países com vínculo de parceria com a UE.

Brasil e UE unem forças em IA e governança digital

A nova parceria entre o Brasil e a União Europeia abrange áreas cruciais como cooperação em IA, governança de dados, infraestrutura digital pública, identidade e assinaturas digitais. O acordo também foca na proteção de crianças no ambiente online e na coordenação em fóruns multilaterais de governança da internet. Esta colaboração eleva o diálogo técnico bilateral a um patamar de compromisso político estratégico.

Os temas prioritários para esta cooperação incluem a regulação da inteligência artificial, o desenvolvimento de computação de alto desempenho e a consolidação da governança de dados e assinaturas digitais. A UE tem implementado medidas ambiciosas para aumentar sua soberania tecnológica, incluindo a criação de 19 fábricas de IA distribuídas pelo bloco, com a meta de quintuplicar a capacidade computacional europeia em um ano.

Metas ambiciosas da UE para a revolução da IA

A União Europeia estabeleceu metas claras para impulsionar a adoção e o desenvolvimento da inteligência artificial em seu território. Uma das metas é alcançar a marca de 75% de adoção de IA nas empresas até 2030. Atualmente, apenas 20% das empresas europeias utilizam IA, segundo um levantamento de 2025, o que demonstra o grande potencial de crescimento e a necessidade de acelerar essa transformação.

Henna Virkkunen admitiu que a meta pode ser ainda mais ambiciosa, pois acredita que todos os negócios deveriam usufruir dos benefícios da IA. Além disso, a UE está focada em fortalecer sua infraestrutura de IA, garantindo que startups e pequenas empresas tenham acesso a recursos computacionais para treinar seus próprios modelos, impulsionando a inovação local e a competitividade.

UE defende soberania tecnológica e regras claras para big techs

Em relação a questões de mercado, Virkkunen abordou a decisão da Apple de não lançar a nova Siri AI na Europa, atribuindo-a a uma escolha da empresa, e não a impedimentos da Lei de Mercados Digitais (DMA). Ela defendeu que as exigências de interoperabilidade da DMA visam garantir a concorrência, sem comprometer segredos de negócio. A UE reafirma seu compromisso em criar um ambiente tecnológico mais equilibrado e competitivo.

A dirigente também defendeu o AI Act, a legislação europeia sobre IA, argumentando que ela já abrange agentes de IA e a IA generativa, tratando-os com as devidas obrigações de avaliação e mitigação de riscos. Essa abordagem regulatória busca garantir um desenvolvimento ético e seguro da inteligência artificial, alinhado aos valores europeus e aos interesses de seus cidadãos.

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