A indústria de games está em constante evolução, e com ela, a forma como os jogadores consomem títulos. Nesse cenário dinâmico, franquias antigas e jogos clássicos, antes vistos apenas como relíquias de nostalgia, ganham um novo e valioso status para as produtoras. O sucesso estrondoso de coletâneas, remasterizações e remakes nos últimos tempos comprova isso.
Tornou-se mais acessível do que nunca trazer séries esquecidas de volta à vida. Empresas podem até terceirizar a produção para estúdios externos, uma prática que tem se intensificado no setor. Pensando nisso, o Canaltech lista 10 franquias consideradas mortas que merecem um retorno urgente. Incluímos desde jogos totalmente perdidos no tempo até cultuados clássicos que ainda hoje são lembrados com carinho pelos fãs.
Essas são as 10 franquias consideradas mortas que merecem voltar urgentemente, conforme apurado pelo Canaltech: Lost Planet, Parasite Eve, Sly Cooper, Punch-Out!!, Resistance, F-Zero, Killzone, Dino Crisis, Banjo-Kazooie e, claro, Half-Life.
10. Lost Planet: A Aventura Glacial da Capcom
A Capcom tem colecionado acertos nos últimos anos, e seu sucesso não é por acaso. Além de revitalizar Resident Evil, a produtora estabeleceu um novo padrão de remakes na indústria ao trazer seus survival horror clássicos para plataformas modernas. Esse conhecimento poderia ser aplicado para resgatar a franquia Lost Planet da sétima geração de consoles.
Lost Planet é um shooter de ficção científica que se tornou trilogia para PC, PlayStation 3 e Xbox 360. A história se passa em um futuro onde a humanidade busca refúgio no planeta glacial EDN III, devido a um Terra devastada por guerras, aquecimento global e poluição. A megacorporação NEVEC planeja colonizar EDN III, mas encontra resistência da raça alienígena Akrid.
Embora acessível via retrocompatibilidade no Xbox e PC, Lost Planet é uma daquelas franquias perdidas que seria interessante ver mais pessoas descobrindo. Títulos como Helldivers II provaram que a ficção científica com hordas alienígenas está em alta. O último jogo da série da Capcom chegou em 2013, em um período de crise para a empresa.
9. Parasite Eve: O Terror Psicológico da Square Enix
Parasite Eve aterrorizou muitos donos de PlayStation 1 no final dos anos 90. A franquia survival horror, desenvolvida pela Square Soft (hoje Square Enix), apresentava um combate RPG quase em tempo real, diferenciando-se de Resident Evil e Final Fantasy. Parasite Eve se tornou um clássico cult, com uma atmosfera pesada e adulta, embalada por uma trilha sonora de arrepiar composta pela lendária Yoko Shimomura.
Parasite Eve II, lançado em 2000, aprofundou o survival horror, mas manteve elementos de RPG, garantindo um bom retorno financeiro. Uma década depois, The 3rd Birthday chegou ao PSP, desagradando fãs por adotar um estilo de shooter em terceira pessoa, distanciando-se dos originais.
Há uma década e meia sem novidades, um retorno de Parasite Eve é aguardado. A Square Enix tem focado em Final Fantasy, Dragon Quest e novas propriedades intelectuais, com uma postura multiplataforma. Um remake poderia ser ideal para revisitar a história de Aya.
8. Sly Cooper: O Ladrão Astuto da PlayStation
Sly Cooper, criado pela Sucker Punch Productions, surgiu em uma era de jogos de plataforma 3D com mascotes. Sua jogabilidade focada em furtividade e exploração orgânica o diferenciava. O guaxinim ladrão Sly possuía movimentos que tornavam o gameplay mais estratégico, com o stealth como prioridade.
O último jogo principal, Sly Cooper: Thieves in Time, foi lançado em 2013 para o PlayStation 3. O desenvolvimento passou para a Sanzaru Games, que foi adquirida e fechada pela Meta em 2026. A Sucker Punch seguiu com inFAMOUS e agora é conhecida pela série Ghost of Tsushima.
Astro Bot e Ratchet & Clank provaram que jogos de plataforma 3D e mascotes da PlayStation continuam fortes. A Sony poderia diversificar seu catálogo first-party, ressuscitando títulos como Sly Cooper e Jak & Daxter.
7. Punch-Out!!: O Boxe Clássico da Nintendo
A Nintendo é conhecida por cuidar de suas franquias a longo prazo, mas algumas acabam ficando de lado, como é o caso de Punch-Out!!. Nascida no Nintendinho, a série de boxe oferece um desafio que fãs de jogos soulslike poderiam apreciar. O segredo para vencer envolve foco, observação dos adversários e cenários, além de reflexos rápidos.
Punch-Out!! apareceu pela última vez em 2009 no Wii. A Nintendo poderia aproveitar os controles de movimento do Switch para trazer um Punch-Out!! definitivo para os jogadores modernos.
6. Resistance: A Guerra Contra os Aliens da Sony
A Sony tentou emplacar jogos de tiro na geração do PlayStation 3, enquanto a concorrência já tinha Halo e Gears of War. Resistance: Fall of Man foi um acerto da Insomniac Games, ambientado em uma realidade alternativa onde a humanidade enfrenta a espécie alienígena Quimera em um contexto de Guerra Mundial.
A ideia de mesclar eventos históricos foi uma jogada de mestre. Resistance 3, lançado em 2011, intensificou o horror e a visceralidade da série. Tristemente, a Sony barrou o desenvolvimento de um quarto jogo sem muitas explicações, levando a Insomniac a focar em outros projetos.
5. F-Zero: Velocidade Extrema nas Pistas Espaciais
Outra franquia que deixou fãs da Nintendo órfãos é F-Zero. A série de corrida espacial é conhecida por sua velocidade alucinante, dificuldade acentuada em comparação a títulos como Mario Kart, e uma trilha sonora icônica.
Embora o spin-off F-Zero 99 tenha saído há três anos, não vemos um jogo principal desde 2004 no Game Boy Advance. F-Zero, ao lado de Star Fox, é uma franquia popular entre os fãs da Big N que aguardam ansiosamente por um retorno.
4. Killzone: A Guerra Sombria da Guerrilla Games
Além de Resistance e SOCOM, a Sony possuía Killzone, um FPS desenvolvido pela Guerrilla Games. Lançado em 2004 para o PlayStation 2, o jogo mesclava um tom sombrio e guerra crua com ficção científica. Na época, foi rotulado como um “Halo-killer”, algo que a desenvolvedora negava.
Killzone fez sucesso, especialmente no PlayStation 3. O último jogo principal, Killzone: Shadow Fall, chegou em 2013. Um dos motivos para a Guerrilla desistir da IP foi o desejo de se afastar do tom sombrio, migrando para Horizon Zero Dawn.
3. Dino Crisis: O Terror dos Dinossauros da Capcom
A Capcom certamente recebe muitos pedidos de fãs por um remake de Dino Crisis. A franquia survival horror nasceu em 1999 no PlayStation, pelas mãos de Shinji Mikami, criador de Resident Evil. Em vez de zumbis, os antagonistas eram dinossauros, aproveitando a popularidade de Jurassic Park.
Dino Crisis se tornou um sucesso, mas Dino Crisis 3, de 2003, foi um dos motivos para a Capcom desistir da franquia. Lançado com exclusividade para o Xbox original, o jogo sofreu com vendas pífias, jogabilidade e design de níveis questionáveis. A série perdeu seu criador e tentou uma abordagem de ação espacial, abandonando o horror.
2. Banjo-Kazooie: A Saudade da Rare
A Rare é um estúdio que mudou drasticamente de estilo desde seu auge nos anos 90. Para muitos fãs nostálgicos, a produtora britânica que conheciam morreu após ser adquirida pela Microsoft, e o abandono de Banjo-Kazooie é um exemplo disso.
Banjo-Kazooie foi um grande lançamento para o Nintendo 64, inovando no gênero de plataforma 3D. Para alguns, a dupla superou até mesmo Super Mario 64, justificando seu sucesso comercial e crítico.
O último jogo principal, Banjo-Kazooie: Nuts & Bolts, lançado em 2008 para o Xbox 360, não agradou os fãs. Posteriormente, a Rare focou em jogos para Kinect e, mais recentemente, em Sea of Thieves. A Toys for Bob (Crash Bandicoot, Spyro) é apontada como um estúdio ideal para dar continuidade à franquia.
1. Half-Life: O Legado Inacabado da Valve
Não é segredo que Half-Life é uma das franquias mais importantes dos jogos de PC. O FPS de ficção científica, lançado em 1998, inovou na narrativa e nas mecânicas de tiro, colocando a Valve no mapa da indústria. A tecnologia por trás de Half-Life contribuiu para o surgimento de outros jogos da empresa, como Counter-Strike e Portal.
Half-Life 2, lançado em 2004, revolucionou o gênero com narrativa imersiva, física realista e IA avançada. Muitos o consideram o FPS mais importante de todos os tempos.
Infelizmente, a Valve não lançou uma sequência direta. Apesar do aclamado Half-Life: Alyx em VR (2019), a mudança de foco da empresa para jogos multiplayer e live-service, além de investimentos no Steam, inviabilizaram o terceiro episódio. Fãs ainda mantêm esperanças de uma conclusão para a trilogia.