A Microsoft tomou uma decisão drástica que pode ter apagado arquivos importantes de cerca de 170 mil ONGs globais. O encerramento das licenças gratuitas do pacote Office e do armazenamento no OneDrive para organizações sem fins lucrativos de pequeno porte deixou muitas entidades em situação crítica, sem acesso a documentos e serviços essenciais para suas atividades.
A medida, que afetou aproximadamente 400 mil entidades em todo o mundo, cortou o acesso a ferramentas corporativas e de produtividade que eram vitais. O descontentamento é generalizado, com relatos de que o processo foi confuso e mais rápido do que o esperado por muitos gestores de ONGs.
O impacto financeiro e operacional para essas organizações, muitas com orçamentos apertados, é significativo. A perda de dados pode exigir meses de trabalho para ser recuperada, se é que isso é possível. Conforme informação divulgada pela Slate, a Microsoft afirma ter enviado notificações no primeiro semestre de 2025 e oferecido suporte durante a transição, mas muitos relatos contradizem essa versão.
O Fim das Licenças Gratuitas e o Caos Gerado
A gigante da tecnologia encerrou a oferta de licenças gratuitas que incluíam o pacote Office completo e armazenamento generoso no OneDrive, além de outras ferramentas corporativas. Essa mudança abrupta, que ocorreu em 11 de junho, pegou muitos de surpresa. Responsáveis por organizações sem fins lucrativos relataram à publicação Slate que o processo de encerramento foi conduzido de forma confusa pela Microsoft.
Um dos casos relatados é o de Ronald Khosla, cofundador da Canopy, uma empresa focada em financiamento para projetos ambientais. Khosla conta que, ao renovar seu pacote em outubro de 2025, recebeu a garantia de acesso até outubro de 2026. No entanto, o acesso foi cortado antes do previsto, e ele só não perdeu tudo porque possuía um backup físico, considerando o armazenamento em nuvem menos prático.
Relatos de Perda Total de Dados
Um porta-voz de uma organização voltada à saúde infantil, que pediu para não ser identificado, relatou à Slate ter perdido todos os dados de sua entidade. Ele afirmou não ter encontrado nenhuma notificação da Microsoft em seus e-mails, nem mesmo na pasta de spam ou lixeira, o que levanta sérias dúvidas sobre a eficácia da comunicação da empresa.
Relatos semelhantes circulam em plataformas como Reddit e grupos do Facebook, além dos fóruns de suporte da própria Microsoft. Embora alguns usuários confirmem ter recebido avisos e lembretes periódicos sobre a desativação, outros, como o citado, não receberam qualquer comunicação. Um usuário chegou a pensar que os avisos eram spam, visto que a Microsoft continuava anunciando as licenças gratuitas em seu site.
Impacto Devastador para ONGs
A perda de acesso aos arquivos e programas essenciais pode ter um impacto devastador para as ONGs. George Weiner, especialista em organizações sem fins lucrativos, estima que cerca de 171 mil ONGs podem ter perdido tudo de suas contas do OneDrive, o que representa quase metade das entidades inscritas no programa. Ele aponta que, em média, 33 mil organizações foram removidas por mês ao longo de um ano.
Para a maioria das ONGs nos Estados Unidos, que operam com orçamentos anuais inferiores a US$ 1 milhão, as licenças gratuitas da Microsoft representavam uma economia considerável, chegando a 30% em seus departamentos de TI. A perda desses serviços obriga as organizações a buscar alternativas pagas, um desafio financeiro significativo.
Recriação de Conteúdo e Prejuízos Operacionais
Organizações que dependiam do OneDrive para armazenar documentos e arquivos importantes agora enfrentam a tarefa hercúlea de recriar esse conteúdo. Uma entidade dedicada a pessoas com deficiência, por exemplo, informou que precisará de centenas de horas para refazer vídeos instrutivos que foram perdidos. A interrupção no acesso a programas como Power Automate e Forms, utilizados em áreas críticas como o contato com doadores, prejudica diretamente as operações.
Posição da Microsoft
Em resposta à Slate, a Microsoft declarou que iniciou o processo de notificação das organizações no primeiro semestre de 2025 e ofereceu suporte durante o período de transição. A empresa justificou a remoção das licenças gratuitas como uma medida para “simplificar o portfólio de doações”. Além disso, a companhia afirmou ter recomendado fortemente que seus clientes e parceiros migrassem para outras opções do Microsoft 365, buscando novas soluções dentro do ecossistema da empresa.