Gastos com mídia física de jogos nos EUA crescem pela primeira vez desde 2019, impulsionados pelo Nintendo Switch 2.
Os gastos com mídia física de jogos nos Estados Unidos apresentaram uma leve alta pela primeira vez em quatro anos, mais especificamente desde 2019. Um crescimento modesto, mas significativo, que pode ter o novo console da Nintendo como principal responsável.
Os dados da Circana indicam que, nos 12 meses encerrados em maio de 2026, os jogadores americanos gastaram 3% a mais em cartuchos e discos em comparação com o mesmo período do ano anterior. Este é um sinal de que o formato físico ainda resiste, mesmo com a forte ascensão do digital.
No entanto, a análise sugere que este aumento pode ser temporário. Mat Piscatella, diretor sênior da Circana e especialista no mercado de jogos, comentou sobre o cenário, atribuindo a alta ao desempenho do Nintendo Switch 2 e prevendo um futuro incerto para a mídia física. Conforme informação divulgada pela GamesIndustry.biz, Piscatella declarou que “essa é uma levantada do Switch 2”.
Nintendo Switch 2 como motor do crescimento da mídia física
As vendas de softwares físicos nas plataformas da Nintendo registraram um aumento de 26% em relação ao ano anterior. Apesar disso, o analista ressalta que este número ainda está em queda quando comparado ao período que terminou em maio de 2024. O sucesso do Nintendo Switch 2 parece ser o principal, e talvez único, impulsionador deste crescimento pontual.
Para os entusiastas que esperavam um renascimento da mídia física, as notícias não são animadoras. Piscatella aponta que “todos os outros ecossistemas continuam a cair em porcentagens de dois dígitos”. Ele classifica o atual aumento como um provável “blip” temporário, uma flutuação passageira no mercado.
Queda histórica e previsão pessimista para o futuro
A última vez que os gastos com mídias físicas de jogos apresentaram crescimento foi em 2009, quando o mercado movimentou expressivos US$ 11,5 bilhões. Atualmente, o leve aumento de 3% fez o segmento atingir apenas US$ 1,6 bilhão, demonstrando a drástica redução do mercado ao longo dos anos.
Olhando para o futuro, Piscatella tem uma previsão pessimista. Ele acredita que “provavelmente temos menos de uma década restando de software físico”. Essa projeção se baseia em tendências claras de mercado e no avanço das tecnologias digitais.
O avanço do digital e o fim iminente da mídia física
Um dos fatores que reforçam a previsão de Piscatella é a crescente adoção de consoles sem leitor de disco. Mais da metade dos Xbox Series vendidos nos EUA não possuem drive de disco, e no caso do PS5, mais de um quarto dos sistemas são modelos exclusivamente digitais.
Além disso, as próprias produtoras de jogos demonstram um empenho cada vez menor em lançar produtos em mídia física. O próprio Nintendo Switch 2, que impulsionou os gastos neste último ano, tem promovido o uso de Game-Key Cards, que ainda exigem o download do jogo e servem como um incentivo menor para a compra física em comparação com a facilidade da eShop.
O exemplo mais recente e impactante é o aguardado GTA 6, que não terá versões em disco em seu lançamento. Apenas caixas com a chave para download digital do game estarão disponíveis, sinalizando um futuro onde a mídia física pode se tornar obsoleta.