A Vivo sinalizou sua intenção de desativar a rede 2G no Brasil “o quanto antes for possível”. A declaração, feita pelo CEO Christian Gebara durante a divulgação de resultados financeiros, revela um plano para eliminar custos de operação e, principalmente, liberar o espectro de frequências. O objetivo final é turbinar as redes 4G e 5G, oferecendo maior capacidade e velocidade aos usuários.
Apesar da urgência expressa pela operadora, um cronograma claro para o desligamento do 2G ainda não foi definido. Diversos obstáculos impedem a desativação imediata, com destaque para a grande quantidade de dispositivos corporativos que ainda dependem exclusivamente do sinal de segunda geração para operar.
Essa dependência do 2G, que pode parecer ultrapassado para o usuário comum, é crucial para o segmento de Internet das Coisas (IoT). Dados recentes mostram que, embora o 4G domine com 64,4% das linhas e o 5G avance para 23,9%, o 2G ainda representa 6,7% das conexões comerciais e empresariais, superando até mesmo o 3G, com 5,1%.
O Legado Corporativo do 2G
A permanência do 2G no mercado é sustentada quase inteiramente pelo setor corporativo. Conforme explicou Christian Gebara, a demanda por essa tecnologia entre usuários comuns é mínima. No entanto, equipamentos essenciais para empresas, como rastreadores veiculares de frotas, medidores inteligentes de energia elétrica e máquinas de cartão de crédito mais antigas, ainda estão atrelados a essa rede.
Isso significa que a migração desses dispositivos para tecnologias mais modernas é um pré-requisito para que a Vivo possa efetivamente desligar a infraestrutura 2G. A Anatel, agência reguladora, já sinalizou sua intenção de suspender a homologação de novos celulares e dispositivos que funcionem apenas com 2G ou 3G. A medida visa frear a entrada de equipamentos defasados no mercado brasileiro, incentivando a indústria a adotar padrões mais recentes.
Compartilhamento de Rede com a TIM
Enquanto o desligamento total não ocorre, a Vivo e a TIM têm buscado otimizar custos através do compartilhamento de infraestrutura, uma prática conhecida como RAN Sharing. Esse modelo permite a divisão das despesas operacionais, especialmente em relação às antenas de rede.
No caso específico do 2G (GSM), o acordo entre Vivo e TIM é ainda mais direto, envolvendo o desligamento da rede de uma das operadoras em determinadas áreas. Em vez de manterem torres duplicadas, uma delas desativa sua antena 2G, e os clientes que ainda dependem desse sinal passam a utilizar a rede da outra operadora. Essa medida elimina a redundância e reduz custos de energia e manutenção.
O Futuro do Espectro de Frequências
A estratégia das operadoras brasileiras é promover um desligamento escalonado do 2G. A liberação das faixas de frequência atualmente ocupadas pelo tráfego de segunda geração permitirá que essas