Yeston RTX 5060 com GB205: Uma Nova Era para Placas de Entrada?
A Yeston, conhecida fabricante chinesa, surpreendeu o mercado ao lançar uma versão da GeForce RTX 5060 que foge do padrão estabelecido. Esta nova placa não utiliza o chip GB206, comum em modelos de entrada desde 2025, mas sim o GB205, a mesma GPU que equipa a RTX 5070.
Essa mudança, que pode parecer um upgrade significativo, vem acompanhada de particularidades que merecem atenção. A placa, pertencente à linha Gaea, mantém os 8 GB de memória, mas a adoção do GB205 com o código 200-KA-A1 levanta questões sobre o real ganho de performance.
O que mais chama a atenção, contudo, é a presença do conector de energia 12V-2×6, um padrão que a NVIDIA tornou obrigatório apenas a partir da RTX 5070. Essa escolha, para uma placa declarada com 145W de consumo, parece exagerada e pode indicar uma reutilização de componentes de modelos superiores. Conforme informações divulgadas pelo perfil UNIKO’s Hardware, essa estratégia de reaproveitamento de hardware da linha superior em placas de entrada parece estar se tornando uma tendência entre fabricantes chinesas, como MSI e Maxsun.
O que muda na RTX 5060 com o Chip GB205?
Apesar de utilizar o chip GB205, a Yeston aplicou cortes para que ele opere no nível de desempenho da RTX 5060 convencional. Isso significa que, para o consumidor final, não há um ganho de performance perceptível em relação aos modelos que utilizam o GB206.
O GB205 em sua configuração completa é responsável por 6.400 núcleos CUDA e uma interface de 192 bits na RTX 5070. Na versão da Yeston, a GPU opera com pouco mais da metade de seus núcleos ativos, mantendo as especificações da RTX 5060.
Conector de 16 Pinos em uma Placa de 145W: Por Quê?
A adoção do conector 12V-2×6, que a NVIDIA recomenda para placas com maior consumo de energia, em uma RTX 5060 de 145W é um ponto de debate. Um único conector PCIe de 8 pinos é capaz de fornecer até 150W, o que seria suficiente para suprir a demanda da placa sem a necessidade do novo padrão.
A explicação mais provável para essa escolha reside na placa de circuito impresso (PCB). A PCB da Yeston RTX 5060 parece ser derivada de um projeto de RTX 5070, com espaço para oito módulos de memória, em contraste com os quatro das placas RTX 5060 baseadas em GB206. Apenas quatro chips foram soldados, totalizando 8 GB.
O resultado é uma PCB com áreas visivelmente vazias, com componentes não populados ao redor do núcleo gráfico. Essa reutilização de PCB, juntamente com o cooler de classe RTX 5070, confere à placa um porte físico maior do que o necessário para sua categoria de entrada.
O Mistério do Sufixo KA e a Prática da Indústria
A terminação “KA” no código do chip, GB205-200-KA-A1, não possui uma explicação oficial pública. Analistas especulam que isso pode indicar a desativação de um canal de memória. Essa hipótese sugere que a NVIDIA e suas parceiras estariam aproveitando chips GB205 com defeitos parciais, que não atenderiam aos requisitos da RTX 5070, mas que ainda podem ser utilizados na RTX 5060.
Essa prática de reaproveitamento de semicondutores é comum na indústria. O que chama a atenção é a escala: a MSI, por exemplo, lançou recentemente quatro variantes da RTX 5060 com o mesmo chip GB205 cortado. Essa concentração temporal de mudanças sugere um direcionamento da própria NVIDIA, especialmente considerando o adiamento da série RTX 50 SUPER devido ao aumento no preço da memória GDDR7.
Impacto para o Consumidor e Futuro das RTX 5060
Para o consumidor, essa mudança na RTX 5060 não resulta em ganho de desempenho, mas pode trazer implicações. A placa se torna superdimensionada, com temperaturas potencialmente mais baixas e ruído controlado, mas ao custo de maior espaço no gabinete e a necessidade de um conector de energia compatível ou adaptador.
A Yeston não divulgou o preço ou a data de distribuição fora da China. O preço sugerido pela NVIDIA para a RTX 5060 é de US$ 299. A expectativa é que essa tendência de utilizar chips de categorias superiores em placas de entrada se consolide, especialmente se houver gargalos de produção ou otimização de custos por parte da NVIDIA.