Apple e Intel Avançam em Acordo Preliminar para Fabricação de Chips
Fontes próximas ao assunto revelaram ao Wall Street Journal que Apple e Intel teriam chegado a um acordo preliminar. A gigante da tecnologia Apple estaria buscando a expertise da Intel para fabricar componentes cruciais para seus produtos. Essa colaboração surge em um momento de alta demanda e desafios na cadeia de suprimentos global.
As especulações sobre essa parceria ganharam força após notícias semelhantes serem divulgadas pela Bloomberg no início da semana. A publicação indicava que a Apple estaria em negociações não apenas com a Intel, mas também com a Samsung, visando a produção de chips em solo americano. No entanto, tanto a Apple quanto a Intel optaram por não comentar as informações quando procuradas pelo WSJ.
Embora os detalhes exatos sobre quais produtos da Apple receberão os chips fabricados pela Intel ainda sejam incertos, o MacRumors sugere um modelo de colaboração focado na manufatura. A Intel seria responsável pela parte de foundry, ou seja, a produção física dos chips, enquanto a Apple manteria o controle sobre o projeto técnico. Essa divisão de tarefas poderia ser aplicada aos chips mais simples da renomada linha M, que equipam os iPads e Macs.
Apple Enfrenta Gargalos na Produção de Chips
Atualmente, a Apple depende fortemente da Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC) para a fabricação de seus chips. A TSMC é líder global em capacidade de manufatura, superando concorrentes como Samsung e Intel. Contudo, a Apple não é a única cliente da gigante taiwanesa, disputando espaço com empresas como a Nvidia.
O crescente mercado de inteligência artificial e a rápida expansão de data centers têm gerado um gargalo significativo na cadeia de suprimentos. Essa escassez tem impactado diretamente a capacidade da Apple de atender à demanda por seus produtos. O próprio CEO da Apple, Tim Cook, admitiu em uma teleconferência com investidores que produtos como o Mac Mini e o Mac Studio podem levar meses para equilibrar oferta e demanda.
Cook também mencionou em conferências anteriores que a empresa tem enfrentado dificuldades em suprir a demanda por iPhones devido à baixa disponibilidade de chips avançados. Essa situação reforça a urgência da Apple em diversificar suas opções de fabricação e garantir um fluxo contínuo de componentes essenciais.
Influência Governamental no Acordo Apple-Intel
O Wall Street Journal também aponta para uma possível influência do governo dos Estados Unidos no fortalecimento da indústria local de semicondutores. Segundo o jornal, o secretário de comércio americano, Howard Lutnick, teria se reunido diversas vezes com executivos da Apple, incluindo Tim Cook, com o objetivo de incentivá-los a firmar parcerias com a Intel.
Essa movimentação se alinha com os esforços do governo para impulsionar a fabricação de chips nos EUA. Um exemplo notável é o acordo firmado em agosto de 2025 pelo governo de Donald Trump com a Intel, que converteu US$ 8,87 bilhões em subsídios em 9,9% das ações da empresa. Essa ação posicionou os EUA como um dos principais acionistas da companhia, demonstrando o interesse estratégico do país no setor.
Parceria Estratégica para o Futuro da Linha M
A potencial colaboração entre Apple e Intel pode representar um marco importante para a linha de processadores M da Apple. Ao terceirizar a fabricação de chips mais simples para a Intel, a Apple poderia otimizar seus recursos e focar no desenvolvimento de arquiteturas mais complexas.
Essa parceria também pode significar um passo importante na redução da dependência da TSMC e na diversificação da cadeia de suprimentos. Além disso, fortalecer a indústria de semicondutores nos Estados Unidos é um objetivo estratégico que pode trazer benefícios de longo prazo para a economia americana e para a própria Apple, garantindo maior resiliência em face de futuras crises de abastecimento.